Lula recebeu do ‘caixa geral das propinas’, diz Procuradoria

Lula recebeu do ‘caixa geral das propinas’, diz Procuradoria

Ministério Público Federal sustenta que ex-presidente foi contemplado com pelo menos R$ 3,7 milhões da OAS para reforma e instalação de mobílias no triplex do Guarujá

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo, Julia Affonso e Mateus Coutinho

14 de setembro de 2016 | 18h27

Deltan Dellagnol. Foto: Geraldo Bubniak/EFE

Deltan Dellagnol. Foto: Geraldo Bubniak/EFE

A força-tarefa da Operação Lava Jato afirma que o ex-presidente Lula recebeu valores de um ‘caixa geral de propinas’ montado a partir de contratos da empreiteira OAS com a Petrobrás.

Segundo a Procuradoria da República, pelo menos R$ 3,7 milhões aportados nesse caixa geral foram destinados a Lula, por meio de obras de reformas e instalação de mobiliário e da cozinha do triplex do Condomínio Solaris, no Guarujá – imóvel que a força-tarefa da Lava Jato afirma pertencer a Lula, o que é negado com veemência por sua defesa.

A Procuradoria sustenta que os pagamentos saíram do ‘caixa geral, uma verdadeira poupança de recursos criminosos’.

Esse dinheiro, afirmam os procuradores da República que integram a força-tarefa da Lava Jato, tinha diferentes destinos.

Parte dos valores era redirecionada a título de pagamento de propinas a autoridades públicas. São citados, como exemplos, os ex-diretores da Petrobrás Paulo Roberto Costa (Abastecimento), Nestor Cerveró (Internacional) e Renato Duque (Serviços) – os dois primeiros réus e delatores da Lava Jato, o último, réu e em fase de negociação para colaboração.

Outra parte do dinheiro do caixa geral ia para os partidos políticos que davam sustentação aos diretores corrompidos da estatal petrolífera.

O caixa geral também servia ‘para dar outras finalidades ao dinheiro sujo ali aportado’.

Segundo os procuradores, essa fatia de recursos ilícitos ‘era direcionada a benefícios esparsos deduzidos do caixa geral de propinas do PT, como para as obras do triplex e para custear a manutenção da mudança do ex-presidente Lula’.

Os procuradores estão convencidos de que o dinheiro da suposta propina a Lula saiu de contratos da OAS com a Petrobrás. “A maior parte dos recursos decorreu de contratos no âmbito da Petrobrás.”

Segundo os procuradores, a OAS, cujo ex-presidente Léo Pinheiro é amigo de Lula, firmou contratos com o governo federal que somaram R$ 7 bilhões, dos quais 68% são relativos a negócios com a estatal petrolífera.

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