Lula nega tentativa de comprar silêncio de Cerveró e se diz ‘vítima de massacre’

Lula nega tentativa de comprar silêncio de Cerveró e se diz ‘vítima de massacre’

Ex-presidente prestou depoimento nesta terça-feira, 14, como réu em ação penal na qual é acusado de ser o mandante de uma operação para viabilizar pagamentos ao ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró e evitar que o executivo firmasse um acordo de delação premiada com a Lava Jato

Fábio Fabrini e Júlia Lindner, de Brasília

14 Março 2017 | 11h21

Lula chega para depor à Lava Jato. Foto: André Dusek/Estadão

Lula chega para depor à Lava Jato. Foto: André Dusek/Estadão

Em interrogatório na Justiça Federal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou as acusações de que atuou para “comprar” o silêncio do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró. O petista afirmou que, nos últimos três anos, tem sido “vítima de um massacre” com insinuações diárias, pela imprensa, de que será delatado por empresários e políticos supostamente envolvidos em corrupção. “O senhor sabe o que é levantar todo dia achando que a imprensa tá na porta de casa porque vou ser preso?”, questionou.

Lula afirmou que o ofende “profundamente”a acusação de que o PT é uma organização criminosa. Argumentou que o partido é o mais importante já criado no País e que trabalhou para o fortalecimento das instituições, entre elas a Polícia Federal.

O ex-presidente depõe nesta terça-feira como réu em ação penal na qual é acusado de ser o mandante de uma operação para viabilizar pagamentos ao ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró e evitar que ele firmasse um acordo de delação premiada com a Lava Jato. A suposta participação de Lula no esquema foi descrito pelo ex-senador Delcídio Amaral (sem partido, ex-PT-MS) em colaboração fechada com o Ministério Público Federal (MPF) depois de ser preso.

Nestor Cerveró. Foto: André Dusek/Estadão

Nestor Cerveró. Foto: André Dusek/Estadão

Em depoimento, segundo a denúncia do MPF, Cerveró poderia revelar como recursos desviados de um contrato da estatal com a Schahin foram usados para pagar empréstimo fraudulento, contraído pelo pecuarista José Carlos Bumlai para financiar o PT. Bumlai é compadre do ex-presidente e tinha livre acesso ao Palácio do Planalto na gestão dele.

O ex-presidente disse que fica chateado com “ilações” do ex-senador Delcídio e declarou que, se há um brasileiro que “deseja a verdade”, é ele próprio. Explicou que não tinha nenhum motivo para temer as declarações do ex-diretor e que o ex-congressista era quem, na verdade, tinha uma “relação histórica” com ele.

“Certamente, depois de preso, as pessoas procuram um jeito de sair da cadeia e botar a culpa nos outros”, justificou, em referência a Delcídio.

Lula disse que tinha uma relação institucional com Delcídio, que era líder do governo no Senado. Alegou que nunca tratou a situação de Cerveró com o ex-senador, embora o assunto Lava Jato possa ter surgido.

“Lava Jato, no Brasil, a gente fala no café da manhã, no almoço, na janta e depois da novela.”
Lula disse que não tinha conhecimento do empréstimo feito por Bumlai, tampouco do contrato da Petrobrás com a Schahin.

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