Lula já pode pedir semiaberto no caso triplex, mas petista quer ‘liberdade plena’

Lula já pode pedir semiaberto no caso triplex, mas petista quer ‘liberdade plena’

Preso desde 7 de abril de 2018, ex-presidente tem direito à progressão de regime por ter cumprido um sexto da pena por corrupção e lavagem de dinheiro; defesa assinalou que o petista busca o reconhecimento 'de que foi vítima de processos corrompidos por nulidades'

Pepita Ortega e Fausto Macedo

23 de setembro de 2019 | 15h05

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Miguel Schincariol/AFP

O ex-presidente Lula decidiu não apresentar ao juízo da 13ª Vara Federal pedido para progredir de pena e ir para o semiaberto. Preso desde 7 de abril de 2018, o ex-presidente completa nesta segunda, 23, 1 ano, 5 meses e 16 dias na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, tendo direito à mudança de regime por ter cumprido um sexto da pena no caso do triplex do Guarujá.

Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente, assinalou que Lula busca o restabelecimento de sua liberdade plena, “com o reconhecimento de que foi vítima de processos corrompidos por nulidades, como a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro”.

A mudança do regime de prisão de Lula já havia sido discutida em junho, quando o Ministério Público Federal encaminhou dois pareceres ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) indicando que o ex-presidente já poderia progredir para o semiaberto.

Na ocasião, a subprocuradora-geral da República Aurea Lustosa Pierre entendeu que o tempo que Lula já havia cumprido em Curitiba deveria ser descontado de sua pena de 8 anos, 10 meses e 20 dias, determinada pelo STJ em abril.

Os pareceres foram dados no âmbito de recursos movidos pela defesa do ex-presidente contra a sentença da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça. Os advogados haviam apontado uma omissão quanto ao cumprimento da pena imposta a Lula e pediam sua eventual progressão para o regime aberto.

A análise de tal recurso caberá ao desembargador Leopoldo Raposo, do Tribunal de Justiça de Pernambuco, que substituirá temporariamente o relator da Operação Lava Jato, ministro Felix Fischer.

Em primeira instância, Lula foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão pelo então juiz e atual ministro da Justiça Sérgio Moro. Na época, o ex-magistrado considerou que existiam provas do recebimento de vantagens indevidas de R$ 2,2 milhões da empreiteira OAS por meio do apartamento triplex no Guarujá, no litoral paulista.

Lula ainda é réu em outras sete ações penais – entre elas, a do sítio de Atibaia (SP), em que foi condenado a 12 anos e 11 meses pela juíza Gabriela Hardt em janeiro. O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) ainda não julgou esse caso na segunda instância, o que pode afetar uma eventual mudança de regime imposto ao ex-presidente.

Suspeição de Moro

Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro: ‘Tem coisas na legislação brasileira que não dá para entender’. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Os advogados de Lula buscam derrubar a sua condenação e colocar o ex-presidente em liberdade com um habeas corpus apresentado junto ao Supremo Tribunal Federal no qual acusam Moro de atuar com parcialidade ao condenar o petista no caso triplex.

O HC está previsto para ser julgado pela Segunda Turma do Tribunal neste semestre, mas não há data marcada para a apreciação do caso. Na última terça, 17, o ministro Gilmar Mendes disse que pretende levar o caso ao plenário até novembro.

O pedido de liberdade de Lula começou a ser discutido na Segunda Turma em dezembro do ano passado.

Na época, o relator da Operação Lava Jato no Supremo, ministro Edson Fachin, e a ministra Cármen Lúcia votaram contra o HC. A discussão acabou interrompida por um pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Gilmar Mendes.

Além de Gilmar, faltam se posicionar os ministros Ricardo Lewandowski (que costuma se alinhar a Gilmar em julgamentos sobre a Lava Jato) e Celso de Mello. / COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA

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