Lula chega à Justiça Federal para depor a Moro

Lula chega à Justiça Federal para depor a Moro

Ex-presidente será interrogado em ação penal sobre o caso triplex

Daniel Weterman, Ricardo Brandt, Ricardo Galhardo e Valmar Hupsel Filho, enviados especiais a Curitiba

10 de maio de 2017 | 13h44

Lula vai depor à Lava Jato. Foto: Wilton Junior/Estadão

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à sede da Justiça Federal, em Curitiba. O petista será interrogado pelo juiz federal Sérgio Moro na Operação Lava Jato.

Participam da audiência os procuradores da força-tarefa da Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima, Julio Noronha e Roberson Pozzobon.

A denúncia do Ministério Público Federal sustenta que Lula recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio – de um valor de R$ 87 milhões de corrupção – da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012. As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira por meio do triplex 164-A no Edifício Solaris, no Guarujá (SP), e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, mantido pela Granero de 2011 a 2016. O petista é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção.

O Edifício Solaris era da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), a cooperativa fundada nos anos 1990 por um núcleo do PT. Em dificuldade financeira, a Bancoop repassou para a OAS empreendimentos inacabados, o que provocou a revolta de milhares de cooperados. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi presidente da Bancoop.

A ex-primeira-dama Marisa Letícia (morta em 2017) assinou Termo de Adesão e Compromisso de Participação com a Bancoop e adquiriu ‘uma cota-parte para a implantação do empreendimento então denominado Mar Cantábrico’, atual Solaris, em abril de 2005.

Em 2009, a Bancoop repassou o empreendimento à OAS e deu duas opções aos cooperados: solicitar a devolução dos recursos financeiros integralizados no empreendimento ou adquirir uma unidade da OAS, por um valor pré-estabelecido, utilizando, como parte do pagamento, o valor já pago à Cooperativa.

Segundo a defesa de Lula, a ex-primeira-dama não exerceu a opção de compra após a OAS assumir o imóvel. Em 2015, Marisa Letícia pediu a restituição dos valores colocados no empreendimento.

 

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