Luiz Antônio Bonat deve ser o novo juiz da Lava Jato em Curitiba

Luiz Antônio Bonat deve ser o novo juiz da Lava Jato em Curitiba

Com 25 anos de magistratura e muita história na Justiça Federal do Paraná, provável substituto de Sérgio Moro na 13.ª Vara Federal de Curitiba tem perfil mais reservado e poderá assumir processos em fevereiro

Ricardo Brandt, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

22 de janeiro de 2019 | 17h02

Juiz federal Luiz Antônio Bonat. / Foto: Nathan D’Ornelas/TRF-4

O juiz federal Luiz Antônio Bonat não gosta de holofotes. Mais antigo da lista de magistrados inscritos para ocupar a vaga de Sérgio Moro, como titular da 13.ª Vara Federal de Curitiba, Bonat assumirá o posto e os processos da Operação Lava Jato em fevereiro – se não desistir até esta quinta-feira, 24. É quando o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) – que abrange Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina – oficializa a mudança.

Bonat – como é conhecido entre os colegas – é titular da 21.ª Vara Federal, em Curitiba. Você pode nunca ter ouvido falar do nome, mas o juiz é figura das mais conhecidas e respeitadas a Justiça Federal do Paraná.

Magistrado há 25 anos, Bonat foi servidor da Justiça antes de receber a toga, em 1993, nos tempos em que não havia varas especializadas em lavagem de dinheiro, processos eletrônicos, nem divisão de setores criminal e cível.

Especialista em Direito Público, Bonat tem experiência na área criminal – apesar de atualmente lidar com outros tipos de processos. Formado em Direito em 1979, atuou na 1.ª Vara Federal de Foz do Iguaçu, na 3.ª Vara Criminal Federal de Curitiba e na 1.ª Vara Federal de Criciúma (SC).

É desse período como juiz em Criciúma decisão histórica de Bonat, em que proferiu a primeira condenação criminal contra uma empresa (pessoa jurídica). O caso envolvia extração ilegal em área de preservação ambiental permanente no interior de Santa Catarina e ele condenou criminalmente os donos (pessoa física) e a empresa.

“Acontece que os tempos evoluíram e o aperfeiçoamento tecnológico e o sistemático descaso de todos fez com que surgissem novas infrações, decorrentes de agressões ao meio ambiente, inclusive e de modo especial aquelas ligadas às atividades econômicas”, justificou Bonat, à época.

Metódico. O futuro juiz da Lava Jato tem perfil distinto de Moro, quando o assunto é relação com a imprensa, manifestações públicas e participação em palestras e eventos. De uma geração mais antiga de magistrados, Bonat é daqueles que “só se manifestam nos autos”. Cerimonioso e metódico, são raras entrevistas e imagens sua.

Em 2013, Bonat falou em um vídeo institucional comemorativo dos 45 anos da Justiça Federal no Paraná. “Eu colocaria a Justiça Federal como parte da minha família”, disse.

 

Bonat é considerado profundo conhecer da Justiça e de seu funcionamento. Sua confirmação como nome mais antigo da lista de candidatos a assumir a vaga de Moro foi vista como positiva por colegas e pessoas ligadas à Lava Jato. Apesar de mais reservado, o juiz é tido como técnico, ponderado e perspicaz.

Seleção. A lista de nomes dos juízes mais antigos que se inscreveram para ocupar a vaga de Moro foi divulgada nesta terça-feira, 22, pelo TRF-4. Além de Bonat, os outros quatro são: Julio Guilherme Berezoski Schattschneider (19.º na lista de antiguidade), Friedmann Anderson Wenppap (70.º na lista de antiguidade), Antonio Cesar Bochenek (106.º na lista de antiguidade) e Marcos Josegrei da Silva (111.º na lista de antiguidade).

De acordo com o edital do concurso interno, os magistrados têm até as 24 horas desta quinta, 24, para desistir. Na sexta, 25, o “processo administrativo de concurso de remoção” é encaminhado para o relator, o corregedor regional do TRF-4, desembargador federal Ricardo Teixeira do Valle Pereira, que leva para julgamento ao Conselho de Administração do Tribunal. Só então o presidente da Corte, desembargador federal Thompson Flores, assina a decisão sobre o escolhido. Será a Corregedoria Regional da Justiça Federal da 4.ª Região  que determinará a data oficial da remoção.

Gabriela Hardt, a substituta atual de de Moro, assumiu a cadeira provisoriamente em novembro. Ela já deu duas sentenças no âmbito da Lava Jato, em que condenou ex-diretores da Petrobrás e executivos. Também conduziu o interrogatório do ex-presidente Lula no processo referente às reformas do sítio Santa Bárbara, em Atibaia.

Gabriela, no entanto, não pode se candidatar porque ainda não tem tempo de carreira para a titularidade.

A exoneração de Moro da magistratura foi publicada no dia 19 de novembro, após o então magistrado aceitar o convite do presidente Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Na pasta, ele se cercou de delegados que atuaram na Lava Jato.