Lúcio Funaro, de economista a operador de Eduardo Cunha

Lúcio Funaro, de economista a operador de Eduardo Cunha

Onze anos depois de sua primeira delação, no Mensalão do PT, Funaro deve novamente expor o submundo do poder

Fabio Serapião, de Brasília

01 de julho de 2016 | 16h21

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Lúcio Funaro (esq) e Eduardo Cunha (dir). Foto: Estadão

Nos últimos dias, a cada notícia sobre sua atuação em favor do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, Lúcio Bolonha Funaro procurava os jornalistas para rebater as “ilações” e aproveitava para informar que ele era um economista e não um operador de propinas. Atuante no mercado financeiro desde o final da década de 90, Funaro teve seu nome alçado ao centro dos escândalos políticos brasileiros em 2005, quando se viu como alvo da CPI dos Correios e nas investigações do Mensalão do PT.

À época, a Garanhuns, empresa criada por ele e em nome de um amigo, caiu no pente fino realizado pelos investigadores. Segundo o lobista Marcos Valério, pivô do escândalo, a empresa teria sido utilizada para escoar R$ 6,5 milhões do esquema para o Partido Liberal, o PL, de Valdemar Costa Neto. Pressionado pela investigação e, também, pela força tarefa da CC5, conhecida como caso Banestado, que escancarou a atuação de centenas de doleiros, Funaro optou por aderir a uma delação premiada.

Além de contribuir para a investigação que culminou na condenação da cúpula petista, o então doleiro passou informações para a polícia que resultaram, em 2007, na Operação Themis, cujo alvo era um grupo de magistrados responsáveis pela venda de sentenças. A investigação foi anulada pela Justiça. Um ano depois, embora tivesse prometido nunca mais cometer crimes, Funaro retornou às páginas policiais ao ter a prisão decretada no âmbito da operação Satiagraha – rumorosa investigação que culminou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, e do investidor Naji Nahas. Para sua sorte, assim como a Themis, a operação foi aniquilada pela Justiça.

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A ausência de Funaro no noticiário durou até a ascensão de Cunha à lista de investigados na Lava Jato. Foi na operação que Funaro ganhou um nova denominação: operador de Cunha – o homem responsável por viabilizar o escoamento de propina das empreiteiras para as contas do deputado fora do País.

Os investigadores chegaram a mapear dois carros, um Hyundai Tucson e uma Land Rover Freelander, em nome da empresa C3 Produções, da esposa de Cunha, mas que foram pagos por empresas ligadas à Funaro. Também na Lava Jato, os irmãos Miltom e Salim Schain, do grupo Schain, contaram aos investigadores que foram ameaçados por Funaro por causa de problemas em obra de interesse dele e de Cunha.

Após várias citações na Lava Jato, Funaro entrou de vez na mira dos investigadores após as delações do ex-vice-presidente da Caixa, Fabio Cleto, e do ex-executivo da Hypermarcas, Nelson Mello. De acordo com o depoimentos dos dois, Funaro era o operador responsável por cobrar, lavar e escoar a propina direcionada à Cunha. Por conta desse histórico, ao pedir sua prisão, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que Funaro é “um dos grandes operadores da organização criminosa investigada na ‘Operação Lava Jato’.