Lojista e indústria: por que a inadimplência não deve atrapalhar essa relação?

Lojista e indústria: por que a inadimplência não deve atrapalhar essa relação?

Luis Marinho*

08 de maio de 2021 | 04h00

Luis Marinho. FOTO: DIVULGAÇÃO

Ao falarmos “inadimplência” e a dificuldade em obter crédito, a primeira coisa que imaginamos são os 60 milhões de brasileiros que possuem dívidas pendentes. Talvez até pudéssemos pensar nos clubes de futebol, que acumulam rombos financeiros que alcançaram quantias que giram em torno de bilhões de reais. Mas, a verdade é que a dívida de lojistas com seus fornecedores é um problema que não passa pela nossa cabeça todo dia, mas que tira noites de sono de diversos empreendedores em todo o Brasil.

Tudo começa literalmente pelo começo. Um comerciante compra mercadorias com seus fornecedores e, no melhor dos cenários, consegue parcelar sua aquisição em até três vezes. Porém, ao vender a mercadoria a um consumidor final, muitas vezes é obrigado a parcelar em até 12 vezes. Se na sua mente essa conta também não fecha, com certeza, a matemática financeira não vai achar uma solução simples. Considerando que o custo de atualização de estoque é, em média, 40% de todas as contas de uma loja, como honrar o compromisso com as empresas produtoras, sem ficar negativado ou sem margem de lucro com as taxas de antecipação de crédito?

O primeiro problema é que a maioria dos empreendedores não possuem grande reserva para capital de giro. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, somente em 2020 mais de 75 mil lojas físicas foram fechadas justamente por não terem como se manter em um período de crise como a pandemia, o que reduziu as vendas para algo próximo de zero. A dependência exclusiva da renda mensal pode até dar certo, mas, com uma mudança tão repentina como a que vivemos, não houve como se preparar para os tempos das vacas mais magras.

O segundo problema encontrado em muitos comércios é a falta de controle no fluxo de caixa. Entender o quanto de dinheiro entra e o quanto sai é essencial para adequar um negócio aos desafios que podem surgir. Cenários de mercado mudam constantemente, mas saber o quanto de lucro mensal você tem pode ser essencial para adiantar a hora de uma reforma ou adiar um investimento de maior risco.

Muitos empreendedores ainda utilizam o famoso caderninho de finanças, que acompanhava a geração um pouco mais antiga. Isso porque sempre gostam de ter tudo à base do papel e da caneta, para se sentirem no controle. Mas, atualmente, existem diversas ferramentas (muito mais eficientes!) que auxiliam na gestão de dados e facilitam a visualização de informações transmitidas por meio dos números e com a segurança de não ter erros nos cálculos, deixando o processo ágil e menos desgastante.

Quando pensamos na importância de uma boa relação dos lojistas com a indústria, com pagamentos sempre em dia e alto nível de confiança, temos que levar em consideração que existe uma dependência nesse sistema. Um lojista que não honra seus compromissos cai em descrédito e vê portas se fechando e impedindo seu negócio evoluir. Mais do que ter toneladas de dinheiro para gastar, utilizar a tecnologia e técnicas para facilitar sua gestão financeira pode ser a solução para encontrar saídas para as dívidas.

Ter lojas e seus fornecedores conectados e felizes com os caminhos trilhados na relação comercial é essencial para a prosperidade de ambos e as soluções tecnológicas podem oferecer a melhor forma para lidar com a rotina de um empreendimento. Se a sua empresa ainda não utiliza os recursos que o século XXI oferece para gestão e economia, está na hora de começar a expandir suas possibilidades.

*Luis Marinho, co-CEO da Blu

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