Logtechs: o antes e o depois desse segmento com a pandemia da covid-19

Logtechs: o antes e o depois desse segmento com a pandemia da covid-19

Renato Junoy*

24 de agosto de 2020 | 13h00

Renato Junoy. FOTO: DIVULGAÇÃO

O avanço da tecnologia possibilitou o surgimento das startups, empresas que oferecem soluções inovadoras ao combinar ferramentas tecnológicas com as demandas do setor em que escolhem atuar. Expressões como fintechs e healthtechs, por exemplo, estão na moda justamente pela revolução que estão promovendo nas áreas de finanças e de saúde, respectivamente. Contudo, a pandemia de covid-19 evidenciou a importância dessas companhias em outro ramo bastante complexo: a logística. As logtechs já são uma realidade e estão impactando positivamente toda a cadeia de negócios.

É inegável que a logística é um setor altamente estratégico e, por conta disso, altamente dependente de soluções que desburocratizem os processos e potencializem o faturamento. De acordo com o estudo Panorama dos Transportes de Cargas no Brasil, realizada pela Llamasoft com a Movimenta Serviços Logísticos, três em cada dez empresas brasileiras pretendem investir nos próximos anos em uma área de planejamento logístico com tecnologia avançada. Já o mercado global de sistemas de gestão de transporte deve movimentar US$ 3,6 bilhões até 2024, com um crescimento médio anual de 14,8%, segundo estimativa da Thomson Reuters.

Nem sempre foi assim. A complexidade dos processos logísticos, com enorme influência na operação de diversas organizações, constantemente foi um fator considerável que impedia maior investimento em inovação e ousadia na área. A preocupação era bem simples: qualquer ferramenta mal implementada ou decisão mal planejada poderia causar um prejuízo gigantesco, além de comprometer a imagem da marca perante seus parceiros.

Adotar uma solução tecnológica não era algo simples e demandava tempo e estudo – ainda que os serviços continuassem derrapando e causassem insatisfação em toda a cadeia. O cenário começou a mudar somente nos últimos anos, já com a consolidação da tecnologia em outras áreas. A logística nacional tinha chegado a um ponto de inflexão: ou inovava para potencializar novos negócios, ou estagnava de vez, levando consigo diversos segmentos. Assim, aos poucos, os recursos tecnológicos passaram a fazer parte da rotina dos operadores logísticos.

O futuro, porém, tende a ser ainda mais promissor para as logtechs, uma vez que os indicadores citados são de levantamentos realizados antes da pandemia de covid-19, que avançou em todo o mundo a partir de março de 2020. Desde então, observa-se um aumento considerável das demandas logísticas, principalmente por conta da evolução e consolidação dos negócios digitais no varejo – o aumento de entregas é a métrica mais notória desse movimento.

Como é possível comprar praticamente qualquer item em poucos cliques, as pessoas esperam essa mesma eficiência na hora de receber seus pedidos. As empresas precisam estar prontas para os novos desafios, transportando produtos em todo o país de forma rápida, segura, transparente e, evidentemente, com um preço justo pelo serviço. Algo que só é possível com a utilização de plataformas tecnológicas, capazes de oferecer inteligência a partir de dados e, sobretudo, aproximar a cadeia logística para reduzir despesas e automatizar processos.

Dessa forma, espera-se das logtechs não só a capacidade de resolver problemas específicos dos operadores logísticos, mas sobretudo a possibilidade de entregar algo a mais a seus clientes. Conceitos como experiência do usuário e big data, por exemplo, integram a base das plataformas de tecnologia para o setor. Assim, permitem que as empresas tenham acesso a diferentes benefícios que sequer imaginavam, como a utilização de entregadores independentes para potencializar entregas no mesmo dia ou as demandas de last mile (última milha) de trajetos mais curtos.

Falar do “novo normal” e do mundo “pós-covid-19” chega a ser clichê diante de tantas análises e tendências veiculadas nas últimas semanas a partir da flexibilização do comércio. Entretanto, no caso da logística, não é exagero dizer que o setor será totalmente diferente do que era anteriormente. Se antes as logtechs ainda desempenhavam papel tímido dentro da cadeia, agora elas se tornaram essenciais para suportar o crescimento dos negócios. Daqui para frente, investir em tecnologia e inovação é questão de vida ou morte para quem deseja se destacar na área.

*Renato  Junoy, diretor executivo da Eu Entrego,  startup  de entregas colaborativas

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