Lobista também intermediou propinas para UTC e GDK, diz Lava Jato

O vínculo das empresas com o lobista apareceu na quebra dos sigilos bancário e fiscal da Jamp Engenheiros, empresa mantida por Milton Pascowitch

Redação

21 de maio de 2015 | 15h56

Milton Pascowitch em fevereiro, quando prestou depoimento À PF. Foto: Sérgio Castro/AE

Milton Pascowitch em fevereiro, quando prestou depoimento à PF. Foto: Sérgio Castro/AE

Por Fábio Fabrini, de Brasília

O juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, afirmou em despacho que ao menos três fornecedoras da Petrobrás usaram serviços do lobista Milton Pascowitch para o pagamento de propinas. Além da Engevix, ele também atuaria para UTC Engenharia e GDK, que ganhou notoriedade no escândalo do mensalão por doar uma Land Rover ao ex-secretário Geral do PT, Sílvio Pereira .

O vínculo das empresas com o lobista apareceu na quebra dos sigilos bancário e fiscal da Jamp Engenheiros, empresa mantida por Pascowitch. A Jamp recebeu R$ 78,7 milhões de 2004 a 2014. Constam repasses de R$ 2,6 milhões feitos pela UTC e de R$ 281,4 mil pela GDK.

“Milton Pascowitch não prestou serviços de intermediação de propinas somente para Engevix”, sustenta Moro, referindo-se às empresas, na decisão em que decretou a prisão preventiva do lobista.

Pascowitch foi detido senta quinta-feira na 13ª fase de Operação Lava Jato. Ele é suspeito de fazer lobby para empreiteiras junto ao PT e à Diretoria de Serviços da Petrobrás, pagando propinas ao ex-diretor da área, Renato Duque, que já estava preso pela PF.

As quebras de sigilo também mostraram que a Jamp pagou em 2013 e 2014 R$ 800 mil à D3TM, empresa que tem Duque como sócio.

“Há fundada suspeita de que os pagamentos visavam adimplir compromissos anteriores de pagamentos de propina, como também aconteceu em relação a pagamentos efetuados por empreiteiras à empresa Costa Global, controlada por Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, delator do esquema)”, escreveu Moro.

A Jamp também pagou R$ 1,4 milhão, entre 2011 e 2012, à empresa JD Assessoria e Consultoria Ltda., do ex-ministro José Dirceu, petista condenado no julgamento do mensalão.

A defesa da UTC informou que desconhece as informações e não irá se manifestar. A GDK não retornou à reportagem.

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