Lobista do PT recebeu ‘recompensa’ por indicação de Duque

Fernando Moura, amigo do ex-ministro José Dirceu, admitiu mensalinho de US$ 10 mil pela escolha, em 2003, do engenheiro Renato Duque à diretoria de Serviços da Petrobrás

Redação

22 de setembro de 2015 | 17h17

Duque foi preso nesta segunda-feira, no Rio. Foto: Fábio Motta/Estadão

Duque foi preso nesta segunda-feira, no Rio. Foto: Fábio Motta/Estadão

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso, Fausto Macedo e Mateus Coutinho

O empresário Fernando Moura, apontado como lobista do PT e ligado ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula), declarou em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato que recebeu pagamentos de US$ 10 mil mensais pela indicação, em 2003, do engenheiro Renato Duque à diretoria de Serviços da Petrobrás. A unidade é estratégica na estatal e se transformou em um dos maiores focos de corrupção e propinas desmantelado pela Lava Jato.

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“Recebia uma ‘recompensa’ pela indicação de Renato Duque de US$ 10 mil mensais; tais valores eram pagos a cada três meses e tais pagamentos se estenderam durante todo o período em que permaneceu fora do Brasil”, afirmou em depoimento, referindo-se à época em que migrou para os Estados Unidos.

Os pagamentos teriam sido feitos pela empreiteira Etesco Construções e Comércios, segundo afirmou Moura em um de seus depoimentos. Nesta segunda-feira, 21, o juiz federal Sérgio Moro homologou a delação do empresário.

As revelações do lobista do PT

Em 2003, primeiro ano do governo Lula, um dos sócios da Etesco, identificado como Licínio, teria pedido ao lobista que apresentasse Renato Duque a Silvio Pereira, quadro importante do PT na ocasião. “Licínio apresentou Renato Duque para Silvio Pereira; que depois de algum tempo de entrevista, Silvio Pereira dispensou Renato Duque e sinalizou ao declarante (Fernando Moura) que ele Duque) tinha boas chances de ocupar o cargo; que ao receber o sinal verde de Silvio Pereira, o declarante aguardou a comunicação formal da aprovação do nome do Renato Duque e organizou um almoço para comemorar com ele e com os irmãos da Etesco.”

“Tão logo confirmada a indicação de Duque, Licínio agradeceu o esforço do declarante e acertou que a Etesco lhe pagaria US$ 30 mil a cada três meses como recompensa pela ajuda na nomeação de Renato Duque; que o declarante tomou conhecimento de que a Etesco já tinha um contrato com a Petrobrás; que depois da nomeação de Duque o contrato se ‘multiplicou’; que os porcentuais de tais contratos que eram repassados para o esquema eram iguais aos demais contratos, algo em torno de 3% do valor do contrato.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DO EX-MINISTRO JOSÉ DIRCEU

“A defesa de José Dirceu avalia que a delação de Fernando Moura só confirma que o ex-ministro não foi responsável pela indicação de Renato Duque para a diretoria da Petrobras. Segundo o advogado Roberto Podval, os termos conhecidos do depoimento até aqui também contradizem a própria denúncia do Ministério Público porque em momento algum o delator diz que representava José Dirceu em negócios na Petrobras ou que teria repassado dinheiro ao ex-ministro.”

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