Lobista diz que pagou propina para deputado Luiz Sérgio na CPI da Petrobrás

Lobista diz que pagou propina para deputado Luiz Sérgio na CPI da Petrobrás

Zwi Skornicki declarou à Procuradoria-Geral da República que a empresa Keppel repassou valores ilícitos para o parlamentar petista que foi relator da Comissão de Inquérito que investigou fraudes na estatal em 2015

Julia Affonso, Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Mateus Coutinho

14 de outubro de 2016 | 12h05

Luiz Sérgio. Foto: Beto Barata/ AE

Luiz Sérgio. Foto: Beto Barata/ AE

O lobista Zwi Skornicki, delator da Lava Jato, afirmou à Procuradoria-Geral da República que o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) atuou para que ele não fosse convocado a depor na CPI da Petrobrás de 2015. Luiz Sérgio era relator da Comissão Parlamentar de Inquérito que apurava fraudes na estatal.

delacaozwi

Na decisão que homologou o acordo de delação de Zwi, o ministro Teori Zawascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), transcreveu trecho de requerimento do Ministério Público Federal.

“Com relação à participação de autoridades com prerrogativa de foro, o colaborador, em seus termos 11 e 13, afirmou que a empresa Keppel pagou parte da propina ajustada com João Vaccari (ex-tesoureiro do PT) em nome do Partido dos Trabalhadores para o deputado Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira. Este mesmo parlamentar teria intercedido para a não convocação do colaborador à CPI da Petrobrás”, afirma a Procuradoria.

Teori destaca ainda outro trecho do requerimento do Ministério Público Federal.

“Embora o referido parlamentar não consta ainda no rol de investigados da Lava Jato, os fatos trazidos pelo colaborador impactam diretamente (pelo menos e por ora) a investigação em curso”, aponta o documento.

Em 22 de outubro do ano passado, a CPI da Petrobrás aprovou o relatório final apresentado pelo deputado Luiz Sérgio. O relatório foi aprovado por 17 a 9, com uma abstenção, conforme informou a Câmara na ocasião.

O relatório de Luiz Sérgio isentou de responsabilidade em irregularidades na Petrobrás o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli.

O criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, defensor de João Vaccari Neto, tem reiterado que o ex-tesoureiro do PT jamais recebeu propinas. Vaccari está preso desde abril de 2015. O ex-tesoureiro já foi condenado pelo juiz Sérgio Moro por corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo D’Urso, todos os valores arrecadados por seu cliente foram destinados ao PT e declarados à Justiça Eleitoral.

COM A PALAVRA, AO DEPUTADO LUIZ SÉRGIO

Com relação às notícias veiculadas no dia de hoje, o deputado Luiz Sérgio esclarece que:

1 – Jamais recebeu, direta ou indiretamente, qualquer vantagem para barrar a convocação de quem quer que seja na CPI da Petrobras da qual foi relator no período de fevereiro a outubro de 2015.

2 – Tal acusação só pode ser explicada pelo desespero de alguém se vê na posição de ter que entregar algo às autoridades judiciais — ainda que sem qualquer prova ou mesmo indício — com a finalidade única de abrandar a própria condenação.

3 – O deputado aguardará o desenrolar das investigações e seguirá à disposição para responder a quaisquer questionamentos que surgirem a esse respeito no âmbito da Justiça

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