Lobista desafia empreiteiro delator para acareação

Lobista desafia empreiteiro delator para acareação

Zwi Skornicki afirma que 'são inverídicas' revelações de Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, sobre acerto de R$ 500 mil para afastar grupo holandês de concorrência em plataformas da Petrobrás

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

15 de agosto de 2016 | 05h00

Zwi Skornicki é apontado como um dos operadores de propina na Petrobrás. Foto: Reprodução/Facebook

Zwi Skornicki é apontado como um dos operadores de propina na Petrobrás. Foto: Reprodução/Facebook

Em petição à força-tarefa da Operação Lava Jato, a defesa do lobista Zwi Skornicki rechaçou informações do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia. Em novo depoimento à Polícia Federal, o empreiteiro afirmou que combinou com Skornicki repasse de R$ 500 mil para tirar do caminho o grupo holandês Keppels Fels de contratos de construção de plataformas da Petrobrás.

O lobista se colocou ‘à disposição’ para uma eventual acareação com Ricardo Pessoa.

Na terça-feira, 9, a defesa de Zwi Skornicki anexou uma declaração assinada pelo lobista aos autos da Lava Jato.

“Vem declarar por meio desta que são inverídicas as imputações formuladas pelo sr. Ricardo Ribeiro Pessoa no referido documento, quando afirma que “o contrato firmado e o único pagamento feito a ela [EAGLE] deveu-se a uma facilitação entre dois concorrentes” “que para afastar a Keppel Fel dos pacotes nos quais a UTC tinha interesse o declarante combinou com Swi (sic) Skornicki de pagar a ele o valor de R$500 mil, para que este deixa e de apresentar proposta nos dois pacotes que tinham interesse” e que o contrato da UTC com a empresa Eagle “tinha objeto simulado””, disse Zwi.

O lobista declarou que ‘efetivamente prestou serviços para a UTC Engenharia S/ A, por meio da Eagle Consultoria em Engenharia Ltda., em relação a aditivo para a P55, tal como consta no contrato inclusive apreendido em busca e apreensão realizada em sua residência, tendo feito reuniões de orientação com o Srs. Mauro Cruz e Maximo Alves, à época funcionários da UTC, conforme consta no Anexo 16 do seu acordo de colaboração’.

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