Delator cita propina em obra na Baía de Guanabara

Delator cita propina em obra na Baía de Guanabara

Mário Góes, novo delator da Lava Jato, contou que buscou dinheiro em espécie na sede da construtora Carioca em São Cristóvão, no Rio, e 'em algumas oportunidades no apartamento' de um diretor da empresa

Redação

30 de julho de 2015 | 19h22

Terminal de Regaseificação da Baía de Guanabara (GNL). Foto: Petrobrás

Terminal de Regaseificação da Baía de Guanabara (GNL). Foto: Petrobrás

Por Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

O lobista Mário Góes, novo delator da Operação Lava Jato, afirmou em depoimento que houve pagamento de propina pela empreiteira Carioca Engenharia nas obras do GNL da Baía de Guanabara, no Rio, e no Terminal Aquaviário de Barra do Riacho, no Espírito Santo. Ele não citou valores. Mário Góes é apontado como operador de propinas na Diretoria de Serviços da Petrobrás.

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À força-tarefa, o lobista contou que conheceu o executivo ligado a construtora Luiz Fernando dos Santos Reis no fim da década de 1960. Segundo Mário Góes, ao saber que ele conhecia o executivo, o ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco afirmou que o lobista ‘seria procurado por eles a fim de que fosse ajustada a forma de pagamentos dos valores que ele teria a receber’.

Foto: Reprodução

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Mário Góes disse aos procuradores da República que houve uma reunião em seu escritório, onde estavam Luiz Fernando Reis e outro executivo ligado à empreiteira Roberto Moscou. Na oportunidade, afirmou o lobista, ficou acertado que ‘a Carioca faria pagamentos em espécie e depósitos junto a conta Maranelle (controlada por Mário Góes), cujos dados foram repassados a eles na oportunidade’.

“Em relação aos pagamentos em espécie, o declarante era avisado acerca da disponibilidade e solicitava a Miguel Julio Lopes que fosse buscar o dinheiro, o que ocorreu na sede da Carioca em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, e em algumas oportunidades no apartamento de Luis Fernando dos Santos Reis na Lagoa Rodrigo de Freitas, também no Rio”, contou Mário Góes. “Os recursos depositados pela Carioca junto a conta da Maranelle eram em francos suíços, segundo recorda, sendo essa a única empresa que adotava essa moeda; que no tocante as obras relacionadas a esses pagamentos cita o Terminal Aquaviário de Barra do Riacho, GNL da Baía de Guanabara, o qual teria sido pago em duas oportunidades, segundo tabela elaborada por Pedro Barusco.”

Terminal Aquaviário Barra do Riacho. Foto: Petrobrás

Terminal Aquaviário Barra do Riacho. Foto: Petrobrás

De acordo com o depoimento do lobista, não foram celebrados contratos entre a Riomarine, empresa controlada por ele, e a Carioca ‘visando a efetiva prestação de serviços, embora tenham mantido conversas e elaborados estudos acerca da construção de Piers de atracação para FPSOs no Estaleiro Inhaúma no Rio de Janeiro’.

“Acredita que Luiz Fernando Reis não teria autonomia para a liberação dos recursos, tomando por base o montante referido na planilha de Pedro Barusco, acreditando que a decisão tenha sido tomada por Roberto Moscou em consonância com os sócios da Carioca que pertencem à família Backheuser, salvo engano”, disse o lobista.

+ AS REVELAÇÕES DE MÁRIO GÓES

Mário Góes confirmou, em outro termo de delação premiada, que usou suas empresas, a RioMarine e a Phad Corporation, para repasse de propina e lavagem de dinheiro da Andrade Gutierrez para a Diretoria de Serviços da Petrobrás.

O Terminal de Barra do Riacho recebe o GLP e a Gasolina Natural (C5+) da Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC), através de dois dutos de aproximadamente 77 km. O C5+ é escoado por navio e o GLP pode ser escoado tanto por navio, quanto por carregamento rodoviário. O Terminal Flexível de Regaseificação de GNL da Baía de Guanabara tem capacidade para transferir até 14 milhões de m³/dia de gás natural para a malha de gasodutos Sudeste. Atende principalmente as termelétricas da região.

A Carioca Engenharia informou que não vai se manifestar neste momento.

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