Lobby e comunicação no ambiente do poder

Lobby e comunicação no ambiente do poder

Fernando Teixeirense*

12 de fevereiro de 2020 | 08h00

Fernando Teixeirense. FOTO: DIVULGAÇÃO

A palavra lobby ainda causa arrepios quando falada no Brasil. Enquanto nos EUA o lobby é uma atividade reconhecida e fundamental para as relações entre o Poder Público e as empresas, no Brasil ainda está relacionada à ilegalidade. Uma associação injusta e pouco inteligente. É através do lobby, do relacionamento com os agentes políticos, que a sociedade civil pode – e deve – participar do processo decisório de temas que impactam diretamente seu cotidiano.

Legalizar a atividade é um caminho sem volta que vai acontecer cedo ou tarde. O mais importante é o que as empresas, entidades, pessoas físicas e grupos específicos devem fazer para interagir dentro do ambiente político, terem suas pautas analisadas e agirem de forma lícita e de acordo com as boas práticas.

Pra isso, é preciso que a atividade seja regulamentada com regras claras do que pode, ou não, ser feito. Esse é um tema que está em debate há algum tempo e que hoje conta com um projeto de Lei em tramitação no Congresso. Vamos tratar aqui do deve ser feito. Agora é a hora de se fazer “Comunicação no Ambiente do Poder” e usar a mídia e as redes sociais para levar as demandas da sociedade civil organizada aos tomadores de decisão.

A entrada das redes sociais acabou tornando o processo muito mais equilibrado. Se antes quem era contra o lobby alegava não haver nenhum grau de igualdade no processo de relacionamento no ambiente político, por conta das vantagens das grandes corporações, agora vê de camarote pautas de grupos menores ganharem espaço e visibilidade por conta do novo papel que as redes sociais têm no jogo político.

O perfil do novo Congresso e o uso das redes sociais para o embate político, reacenderam o debate sobre a atividade do Lobby. O fato é que com o poder mais distribuído dentro do parlamento, quem pretende ver, ser visto e lograr êxito precisa se comunicar mais e melhor. A linguagem deve ser diferente para públicos diferentes e os materiais precisam ter a capacidade de prender – e convencer – o interlocutor.

Não é mais possível falar apenas com quem está no poder. É preciso falar com a sociedade, buscar apoio da opinião pública para causas e projetos. Também não se trata de “usar a opinião pública” para pressionar o governo ou o Congresso. É fazer o debate aberto, sabendo que isso terá efeito sobre as políticas públicas. Sai a conversa ao pé de ouvido, nos bastidores. Entra o debate feito com a luz acesa, na mídia e nas redes sociais. Ganha quem tiver melhores argumentos. E quem souber comunicar melhor.

O novo momento político, o entendimento de que regularizar a atividade de lobby é necessária e o papel das redes no processo de comunicação com a sociedade torna a comunicação uma ferramenta ainda mais importante no processo de interação com agentes políticos. Inclusive, permitindo que esse processo seja ainda mais transparente. “PR” no ambiente do poder. Este é o novo caminho do lobby. Feito às claras, defendendo bandeiras e ganhando a opinião pública.

*Fernando Teixeirense, diretor de grupo em Brasília do Jeffrey Group

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