Lobão recebeu, sozinho, um quarto de toda a propina do PMDB, diz delator

Lobão recebeu, sozinho, um quarto de toda a propina do PMDB, diz delator

Senador teria recebido R$ 24 milhões do esquema de corrupção na Transpetro ao longo dos 11 anos em que Machado presidiu a estatal

Gustavo Aguiar, Isadora Peron, Julia Affonso, Mateus Coutinho, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

15 de junho de 2016 | 15h10

Edison Lobão. Foto: DIda Sampaio/Estadão

Edison Lobão. Foto: DIda Sampaio/Estadão

Em delação premiada, o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, afirma que o senador Edison Lobão (PMDB-MA) recebeu R$ 24 milhões de propina desviada da estatal. O valor representa quase um quarto de todos os recursos que Machado alega ter pago ao PMDB ao longo dos 11 anos em que esteve à frente da empresa, que somam “pouco mais” de R$ 100 milhões.

Segundo o delator, Lobão, que foi ministro de Minas e Energia entre 2008 e 2015, afirmou que queria receber a maior propina mensal paga aos membros do PMDB. O então ministro queria que o valor para ele fosse fixado em R$ 500 mil por mês, mas Machado teria dito que só poderia transferir R$ 300 mil. Os repasses eram feitos por intermédio do filho do senador, Márcio.

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Parte dos valores a Lobão, R$ 2,7 milhões, foram pagos pelas empreiteiras Camargo Correia e Queiroz Galvão e registrados como doações oficiais. Em alguns casos, a propina ia diretamente para o diretório do PMDB no Maranhão, mas sempre “carimbadas” para beneficiar especificamente o senador. Os demais valores foram pagos em espécie.

Os repasses eram maiores nos anos eleitorais e foram feitos entre fevereiro e dezembro de cada ano. Machado afirmou que, a cada mês, era chamado ao gabinete do então ministro na Esplanada dos Ministérios para discutir como o repasse seguinte seria feito. Geralmente, segundo o delator, os pagamentos eram encaminhados para um escritório no centro do Rio de Janeiro.

Jader Barbalho. Outro peemedebista que também teria recebido propina é o senador Jader Barbalho (PMDB-PA). Segundo Machado, entre 2004 e 2007, foram repassados R$ 3 milhões ao senador, que ele teria usado para pagar dívidas. O delator também afirmou que, em anos eleitorais, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), “passou a pedir que o depoente obtivesse propinas para Jader na forma de doações oficiais das empresas que prestavam serviços à Transpetro”.

Em nota, a defesa de Lobão nega que ele tenha recebido qualquer valor indevido. O comunicado também diz que a delação de Sérgio Machado tem que ser vista “com muita ressalva” dadas as circunstâncias em que foi feita para impedir a prisão dos filhos do delator. A defesa de Jader Barbalho não respondeu às solicitações da reportagem.

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