‘LL – Lula’ e ‘DD* – Dilma’: em delação, Palocci traduziu anotações cifradas

‘LL – Lula’ e ‘DD* – Dilma’: em delação, Palocci traduziu anotações cifradas

Ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil entregou à força-tarefa documento em que revela quem são os nomes por trás das 'papel banco' que a Lava Jato apreendeu com ele antes de virar delator

Fausto Macedo, Ricardo Brandt, Luiz Vassallo

23 de agosto de 2019 | 15h56

O ex-ministro Antonio Palocci entregou agendas, deu dados e traduziu anotações que a Operação Lava Jato apreendeu com ele quando o prendeu em 2016. Em julho de 2018 ele  apresentou, por exemplo, uma tradução de anotações em que explica que “LL” era Lula e “DD*” era Dilma.

O material faz parte dos documentos que a Polícia Federal anexou ao pedido de buscas da 64ª fase da Operação Lava Jato, denominada Pentiti, deflagrada na manhã desta sexta, 23, a para apurar supostos crimes de corrupção envolvendo o Banco BTG Pactual e a Petrobrás na exploração do pré-sal e ‘em projeto de desinvestimento de ativos’ na África.

Entre os alvos da operação estão a ex-presidente da estatal, Graça Foster e o executivo do banco, André Esteves.

A operação apura crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de capitais relacionadas a recursos contabilizados na planilha ‘Programa Especial Italiano’ gerida pela Odebrecht. A PF visa os identificar beneficiários da lista e apurar como se davam as entregas de valores ilícitos a autoridades.

De acordo com a corporação, os supostos crimes podem ter causado prejuízo de ao menos US$ 1,5 bilhão, o que equivaleria a cerca de R$ 6 bilhões de reais hoje.

Segundo a PF, a investigação trata de fatos de diferentes inquéritos policiais e foi impulsionada pelo acordo de colaboração premiada do ex-ministro Antônio Palocci.

Documento

Termos da delação premiada de Palocci foram anexados pela PF no pedido de buscas da operação Pentiti. Nos termos 7 e 9 do acordo de colaboração o ex-ministro dos governos Lula e Dilma fala sobre suposto ilícitos cometidos pelo banqueiro André Esteves em favor do PT.

O delator fala em doações eleitorais vinculadas ao auxílio em negócio para campanha nacional de 2006 do PT, oferecimento de vantagem indevida para garantir a posição da instituição financeira no projeto do pré-sal e para qualquer operação de mercado que o PT/Governo Federal desejasse, gestão de valores – que denominavam de “contas” – para LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, entre outras coisas, conforme resumiu a juíza Gabriela Hardt, que ordenou a deflagração da Pentiti.

COM A PALAVRA, O BTG PACTUAL
“Com relação à operação da Polícia Federal realizada nesta data, o BTG Pactual esclarece que está à disposição das autoridades para que tudo seja esclarecido o mais rápido possível, como sempre.

O BTG Pactual reforça que o Banco opera normalmente.

O Banco esclarece ainda, que o objeto da referida busca e apreensão foi alvo de uma investigação independente conduzida pelo escritório de advocacia internacional Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan, LLP, especializado em investigações e auditorias, contratado em 2015 por um comitê independente formado justamente para fazer uma auditoria externa e imparcial sobre as alegações na época relacionadas a atos ilícitos. A referida auditoria concluiu não existir qualquer indício de irregularidade. O relatório é público e pode, inclusive, ser acessado no site do banco (https://www.btgpactual.com/noticias/quinn-emanuel-conclusoes-da-investigacao)”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE GRAÇA FOSTER
A reportagem tenta contato com a defesa da ex-presidente da Petrobrás. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A ADVOGADA SÔNIA COCHRANE RÁO, QUE DEFENDE ANDRÉ ESTEVES
“Inexplicável e verdadeiramente assustadora a nova medida de força adotada sem qualquer motivo, baseada na desacreditada delação de Antônio Palocci, contra uma instituição financeira e um cidadão recentemente vítima de violento erro judiciário reconhecido por todas as instâncias judiciais.”

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