Linguiças quentinhas no reino de Cabral

Linguiças quentinhas no reino de Cabral

Relatório do Ministério Público do Rio mostra que ex-governador e seus aliados, todos alvos da Lava Jato, recebia alimentos de seu gosto na prisão de Benfica, entre eles o embutido

Julia Affonso

19 Janeiro 2018 | 04h55

Foto: MPRJ

Um dos alimentos apreendidos pelo Ministério Público do Rio, na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, chamou a atenção dos investigadores. Relatório do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), da Promotoria, destacou que na Galeria ‘C’, onde ainda estão presos o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) e outros alvos da Lava Jato havia ‘linguiças fritas ainda quentes’.

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O Ministério Público do Rio fiscalizou a cadeia no dia 24 de novembro de 2017. Na ocasião, os ficais questionaram um agente ‘se os presos faziam uso de microondas para aquecer os alimentos semiprontos e que se encontravam nas ‘geladeiras’, sendo então informado que utilizavam forno existente no espaço destinado aos visitantes, mas apenas em dias de visitas’.

“Ainda assim, em uma das celas foi encontrado recipiente contendo linguiças fritas ainda quentes, fato que mereceu atenção, pois no local não há meios de prepará-las e a visitação encerra-se às 16 horas, ou seja, uma hora antes do início da fiscalização”, destacou a Promotoria.

As regalias de Sérgio Cabral provocaram sua remoção para o Paraná. Nesta quinta-feira, 18, o juiz Sérgio Moro ordenou a transferência para o Complexo Médico-Penal, em Pinhais. A juíza Caroline Vieira Figueiredo, da 7.ª Vara Federal, do Rio, também determinou a remoção do ex-governador e assinalou que ‘os presos do colarinho branco não podem, de forma nenhuma, ter tratamento mais benéfico que outros custodiados’.

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