Like não é voto político, é propósito

Like não é voto político, é propósito

Paulo Marques e Warlen Miiller Rocha Araújo*

14 de julho de 2021 | 04h00

Paulo Marques e Warlen Miiller Rocha Araújo. FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

As redes sociais possibilitaram um relacionamento estreito entre o eleitorado e os aspirantes a cargo político. Diuturnamente percebemos que os pretensos candidatos estão em uma corrida em busca do “ouro digital”, com o fito de galgar um lugar ao sol. Definitivamente, é um vale tudo para obter a aceitação do eleitorado através do like sem um contexto por trás do conteúdo. Mas será que isso funciona? Se funciona, quais os pressupostos? Afinal, nem tudo que reluz é ouro.

Com o maior acesso à internet, as redes sociais se tornaram um valioso instrumento de mobilização, marcando a fluidez entre a vida off-line e on-line. Nesse sentido, não podemos fugir da obviedade, as redes sociais é um forte instrumento para potencializar a construção de reputação política. No entanto, é preciso entender o que o eleitor conectado anseia e motivar esses anseios em votos.

Não por outra razão, vislumbra-se um reduto de pretensos candidatos ao pleito eleitoral que acham que o famoso like e quantidade de seguidores é voto na urna. Na realidade, são apenas métricas de vaidade. De nada adianta postar recortes de informações, memes, polarizar com pessoas fora do seu espectro político ideológico sem uma estratégia bem alinhada.

A informação não é um fim em si mesmo, isto porque, hoje em dia é só dar um google que teremos o mundo na nossa tela. O topo do funil é se conectar com emoção com a audiência. O discurso precisa ser coerente, no entanto, é preciso transformar o discurso coerente num elemento emocional que motive voto.

Vou além, de nada adianta ter milhares de seguidores se eles não conhecem a sua história, se não há conexão, alinhamento de expectativas e resultados. Perceba, a história precisa ter contexto. O eleitor vai estar rodando a time line dele vendo entretenimento, de repente ele se depara com uma publicação de cunho político, a pergunta que fica é: como você quer ele veja a sua publicação, melhor, como você quer ser percebido? É preciso ser interessante antes de ser interessado.

A internet desde sempre está em modo beta, testar não é luxo é sobrevivência. Quando se sabe com quem fala e como fala o caminho não é tão árduo. Cada eleitorado tem uma preferência por conteúdo, no mundo digital, só conseguimos identificar essa preferência estruturando canais, testando públicos e otimizando aquilo que mais se adeque ao perfil do usuário.

Frise-se, que é preciso gerar conteúdo de valor, no mundo real as pessoas tiram dinheiro do bolso e te pagam quando enxergam valor naquilo que você oferta. E o que é enxergar valor naquilo que você oferta? Basicamente é quando aquilo que você oferta tem o poder de transformar algo na vida de quem está comprando e que a pessoa valoriza. O conteúdo de valor, é aquele que tem valor a partir do ponto de vista da audiência. Mais olhar analítico aos números e discernimento de objetivos.

O objetivo é aumentar o nível de consciência/informação que o eleitorado tem sobre: a) os problemas que afetam a vida deles; b) a solução que eles precisam; e c) o produto político que o candidato tem que ofereça essa solução. Cada um desses pilares vão ser personificados em conteúdo político, possibilitando aumentar o nível de consciência, com o intuito de elevar o nível do público. Veja, as pessoas só compram o que elas já estão convencidas que precisam. Logo, o papel das redes sociais é  direcionar conteúdos que traduzam essa necessidade.

A partir disso, uma vez que a audiência está pronta, tem consciência do problema, sabe que esse problema tem solução e que essa solução é o produto político do candidato, possivelmente a tomada de decisão baseada nesses indicadores resultaram na consequência do voto.

Quem planeja e trabalha tem a sua paga. Quem não planeja e não trabalha tem destino, não conte com a sorte.

*Paulo Marques, bacharel em Direito, pós-graduando em Ciências Criminais USP

*Warlen Miiller Rocha Araújo, bacharel em Farmácia. Mestre em Ciências da Saúde pela FAMERP. Professor, ex-assessor parlamentar dep. federal Kim Kataguiri, auxiliar legislativo ALESP (atual)

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.