Liderança de dados: o fim do mercado sem data driven

Liderança de dados: o fim do mercado sem data driven

Adriano Mussa*

07 de agosto de 2021 | 04h30

Adriano Mussa. FOTO: DIVULGAÇÃO

“Cerca de 90% das empresas do mundo se consideram data driven, mas apenas 7% delas realmente são”. Essa foi a fala de Pat Bajari, responsável por Inteligência Artificial na Amazon, durante o último Data Science Day da Columbia University. Uma afirmação que já define o futuro do mercado, que pede por uma requalificação imediata da liderança e consequente entendimento do uso de dados.

Mas afinal, o que é ser data driven? Ruptura, rompimento, disrupção…já não há mais definição que explique o que está evidente nesse conceito: a urgência por genuinamente rever a cultura das empresas para ter foco na tomada de decisões baseadas em dados, priorizando a “escuta” ativa do cliente.

Os negócios sempre foram data driven desde que o papel se fazia presente para anotar pedidos e relembrar o último daquele cliente frequente. Agora, o segredo está em unir todas as informações disponíveis por meio de tecnologias como cloud, blockchain, big data e inteligência artificial, atreladas com a análise e criatividade humana e não insistir de forma cega em superar os meios digitais ou, ainda, dizer ser data driven apenas se o dado corresponder a prévia do pensamento da liderança ou para atender às estruturas de cargo e poder.

A cada mínimo instante, aumenta o abismo de distância entre as empresas que já são data driven e aquelas que ainda não iniciaram o processo de digitalização e a consequente transformação digital de forma correta. O motivo da urgência? Vivemos na era dos dados, em que insistimos no medo de perder espaço para as máquinas, ou melhor os algoritmos, e, enquanto isso, empresas inovadoras aceleram seus testes e passam rapidamente pelo reskilling para controlar fatias cada vez maiores de mercado.

De fato, poderá se tornar impossível competir com quem já coleta os dados e melhora constantemente o que oferece ao público, pois com isso é possível prever tendências, otimizar operações, além de colocar, de verdade, o cliente no centro da estratégia.

Ser data driven vai além da digitalização e de verdades absolutas

Pelo fato de pensar em aplicar a cultura data driven, muitos executivos podem achar que todo o processo da empresa corre o risco de se tornar completamente automatizado, tendo aquele famoso “feeling” da tomada de decisão descartado, mas essa afirmação não poderia estar mais errada.

É extremamente necessário o uso da criatividade dos líderes, julgamento, seleção dos melhores dados e o seu conhecimento de negócios para levantar hipóteses em cima do que é apresentado.

Por outro lado, não adianta ter os dados, fazer um dashboard, que por sinal pouco tem relação com ser data driven, e se intitular data driven, mas, sim, exercitar a imparcialidade, em um movimento interminável, com o propósito da melhoria da qualidade de produtos, serviços e processos.

É preciso também que as empresas estejam abertas às informações e insights que serão evidenciados com esse processo e não se prendam a verdades absolutas, baseadas em achismos ou em opiniões de grupos que nos colocam em uma posição confortável.

Nesse cenário, concluo que as startups têm uma vantagem sobre empresas mais tradicionais, já que não há um grande histórico, mercados a defender e vieses cognitivos, tendendo a ter mais foco no cliente, interpretando o resultado com base no que for gerado de dados em relação aos consumidores.

Reskilling: o caminho para o data driven

A liderança tem um forte papel nesse momento, que é promover o reskilling organizacional para garantir a continuidade de seu negócio.

Desde os cargos mais altos, uma das características de uma empresa data driven passa por funcionários inconformados, que buscam uma melhora constante por meio dos dados e usam seu senso crítico para encontrar soluções inovadoras.

Além disso, a empresa tem que ter uma capacidade de execução excepcional, já que os dados vão trazer a necessidade de ações rápidas e, nem sempre, dá para aguardar por uma aprovação do líder, o que acabaria com a autonomia interna.

Podemos afirmar, por fim, que o único caminho para ser bem sucedido diante da nova era é a simbiose entre ser humano e tecnologia para uma tomada de decisão eficiente e para se ter, verdadeiramente, uma cultura data driven.

*Adriano Mussa, reitor da Saint Paul Escola de Negócios e diretor Acadêmico e de Inteligência Artificial do LIT

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