Líder do Cidadania vai ao TCU para saber se auditor produziu outros ‘relatórios paralelos’

Líder do Cidadania vai ao TCU para saber se auditor produziu outros ‘relatórios paralelos’

Deputado Alex Manente (SP) formalizou pedido de informações junto ao Tribunal de Contas da União

Rayssa Motta e Fausto Macedo

09 de junho de 2021 | 15h06

O líder do Cidadania na Câmara, deputado Alex Manente (SP), formalizou nesta quarta-feira, 9, um pedido de informações junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para saber se o auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques produziu outros ‘relatórios paralelos’ além daquele citado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para acusar a ‘supernotificação’ de mortes por coronavírus no País. O documento, desmentido pelo tribunal, foi inserido no sistema interno sem que constasse qualquer processo no órgão.

Documento

O deputado justifica o pedido dizendo ser ‘preocupante’ a possibilidade de servidores do TCU estarem conferindo caráter oficial a documentos elaborados em ‘claro desvio de finalidade das atribuições oficiais do órgão’. O prazo para o tribunal responder o Congresso é de 30 dias.

“Diante da possibilidade de existência de produções de relatórios revestidos de caráter público e formal pela Corte e que colidem frontalmente com os números oficiais divulgados pelos órgãos de saúde sobre a amplitude do número de mortos no País, solicita-se que o Tribunal de Contas da União preste esclarecimentos acerca desse documento e informe se há outros relatórios paralelos produzidos por servidores ou membros do tribunal”, diz um trecho do ofício.

Sede do Tribunal de Contas da União. Foto: Andre Dusek/Estadão

Mais cedo, o tribunal informou que vai afastar o servidor do cargo por 60 dias. O pedido foi feito pelo corregedor do TCU, ministro Bruno Dantas, que também sugeriu a abertura de um inquérito policial para investigar a conduta do auditor. Em análise preliminar, a hipótese levantada foi a de uso do cargo para promover interesses privados, o que configura crime de prevaricação.

Auditor do TCU desde 2008, Marques é próximo aos três filhos de Bolsonaro – o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). O relatório paralelo feito por ele foi usado pelo presidente para insuflar a tese de que cerca de metade dos óbitos registrados por covid-19 não seriam causados pela doença. Em nota, o tribunal negou o dado e disse que não ‘há informações em relatórios do tribunal que apontem que ‘em torno de 50%’ dos óbitos por covid no ano passado não foram por covid, conforme afirmação do presidente Jair Bolsonaro’.

A CPI da Covid no Senado também aprovou a convocação de Marques para explicar o episódio. O requerimento foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

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