Líder da Perfídia confessa documentos falsos para estrangeiros

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Líder da Perfídia confessa documentos falsos para estrangeiros

Cláudia Chater, presa em regime preventivo desde 30 de abril, nega, porém, transação bilionária poe meio de offshore venezuelana

Luiz Vassallo

08 de maio de 2017 | 05h31

Foto: Reprodução/PF

A advogada Cláudia Chater, presa preventivamente e apontada pela Polícia Federal como líder dos esquemas de lavagem de dinheiro, sonegação e evasão fiscal descobertos pela Operação Perfídia, confessou, em depoimento à Justiça Federal, ter adulterado documentos para estrangeiros beneficiários da suposta organização criminosa identificada pelas investigações. A informação é de documento da defesa ao qual o Estado teve acesso. Cláudia, no entanto, nega ter participado de transação bilionária e da compra de terrenos por meio de offshore sediada na Venezuela.

Documento

A Operação Perfídia descobriu a movimentação de cifras bilionárias por um grupo investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsificação de documentos, liderado por integrantes da família Chater. A advogada Cláudia Chater é apontada como organizadora da suposta organização criminosa. Ela é prima de Carlos Chater, doleiro e um dos alvos iniciais da Operação Lava Jato. Mensagens do celular de Cláudia, apreendido pela Polícia Federal, mostram supostas tratativas por documentos falsos.

Foto: Reprodução/PF

Em documento obtido pelo Estado, a defesa de Cláudia Chater admite que o que ficou ‘prefacialmente comprovado é que a ré teria cometido crimes afetos à falsificação de documentos’. No entanto, os advogados afirmam que a Polícia Federal ‘excedeu todos os limites do razoável’ ao afirmar que Cláudia participou de uma transação de US$ 5 bilhões com o uso de uma offshore venezuelana a um banco dinamarquês.

“Excelência, a maior das gravidades contidas no aludido Inquérito Policial, diz de uma suposta operação de 5 bilhões de dólares, fruto de uma conversão bolívares em dólares, fato que a ré jamais teve conhecimento, sequer notícias”, afirmou.

A offshore Global Recreative Sistem, com sede na Venezuela, apontada pela Polícia Federal como responsável por uma operação de US$ 5 bilhões a um banco dinamarquês no âmbito da Operação Perfídia, foi utilizada para a compra de uma fazenda no interior da Bahia por R$ 68 milhões. A aquisição do imóvel, segundo relatório da PF, rendeu uma comissão de R$ 2 milhões à advogada Cláudia Chater.

O advogado Grimoaldo Roberto de Resende, que defende a suposta líder da Perfídia, afirmou que ‘as compras de fazendas, por exemplo, não se concretizaram, muito embora o enunciado da PF, como tal vastamente divulgado pela imprensa, assegura que sim. Ou seja, a ré não recebeu honorários de dez milhões, dois milhões, um milhão e meio de reais, e não recebeu nada a título de honorários, no que afeta as tais ditas e não concretizadas operações de compra e venda de fazendas’.

A defesa também impetrou um pedido de habeas corpus em favor de Cláudia Chater, que está presa preventivamente, por decisão da Justiça Federal do DF.

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