Lições de 2020!

Lições de 2020!

Ronaldo Ferreira Júnior*

03 de fevereiro de 2021 | 03h00

Ronaldo Ferreira Junior. FOTO: DIVULGAÇÃO

É universal. Todo mundo se desconforta com mudanças, porque exigem muito esforço de nossas mentes, muita força de vontade para mudar hábitos e práticas, além de coragem para seguir caminhos desconhecidos.

Neste ano que terminou agora, mudar foi inevitável. Para piorar, foram mudanças forçadas, relâmpago, sem tempo para planejar, sem um período de transição para processar o que estava acontecendo. Tudo para sobreviver e atravessar o caos que se abateu sobre nossas vidas, empregos, empresas por conta da pandemia global.

Começamos o ano novo sabendo que o ritmo acelerado de mudanças e adaptações irá continuar. Mas, se por um lado essa instabilidade é certa, por outro temos agora a oportunidade de contar com os aprendizados do ano que passou.

A seguir, há três tópicos da curva de experiência que desenvolvi ao longo do último ano, como profissional e empresário de live marketing, que gostaria de dividir:

Esforço só vale a pena se junto vier resultado. Nossos clientes vão sobreviver à pandemia. E sua agência?

A crise – que ainda vivemos – comprovou que resultado não tem nada a ver com quantidade de trabalho ou tamanho de uma agência.

A questão passa é pelo modelo de negócio. Para uma empresa, desde a de pequeno porte, uma padaria de esquina, até uma imensa multinacional, só tem sentido se no fim do exercício a quantidade de dinheiro ganho for maior que as despesas efetuadas por ela.

Por conta disso várias agências pequenas e médias desidrataram suas estruturas, deixaram de viver o cotidiano perverso de buscar trabalhos e clientes para bancar suas estruturas. E passaram a montar estruturas precárias (porque provisórias) para os jobs já fechados.

E a pandemia, no caso, apenas acelerou bastante uma tendência que já se desenhava.

Fato é que houve um desmonte de agências mais estruturadas, que geravam empregos e formavam profissionais para a pulsante indústria do live marketing.

E esse desmonte nem sempre foi opcional. Na maioria dos casos foi a única opção de sobrevivência após longos períodos de inocência e despreparo das agências em valorizar e precificar seus produtos e serviços.

Por ser um negócio originalmente lucrativo, o live marketing viu nascer muitas agências dispostas a ceder à pressão dos clientes, das mesas de compras, e reduzir suas remunerações. Gente que sabe fazer eventos, promoções, ativações, programas de incentivo, operações de trade marketing, mas não sabe fazer contas.

Uma entrega de valor custa o seu devido valor. E um cliente de valor reconhece e paga por isso. Um negócio sustentável precisa gerar receita para pagar despesas administrativas, remunerar profissionais capacitados e talentosos, gerar lucro e ainda acumular algum capital para se sustentar nos períodos sazonais ou de crise.

Sabemos que a ausência destes cuidados, alimentam estratégias de “perde/perde” que estão, infelizmente, fazendo com que ao contrário, empresas entrem o ano já endividadas, com empréstimos tomados para sobreviver a 2020. Por vezes, um simples “NÃO” para Jobs e clientes inviáveis, poderia estancar gastos e proteger os recursos da empresa. Esses nãos que faltaram, também poderiam ter sido educativos para os clientes.

Então estejam atentos. Antes de colocar o seu time a serviço de um job ou cliente, certifique-se de que o esforço valerá a pena. Ninguém te dá um seguro por metade do preço, um carro com 45% de desconto, um sabão em pó grátis, uma caixa de cerveja por dez reais. E, se não fazem isso para você, por que sua empresa precisaria fazer isso para eles?

Converse com um especialista

Ninguém aguenta mais tanta “live”. Os eventos virtuais, mais baratos e praticamente únicas alternativas nesse período de pandemia, se transformaram na tábua de salvação para todos os males. Ao mesmo tempo abriram avenidas de confusão sobre o que, como e com quem fazer.

Se produzir eventos presenciais de qualidade exige profissionais de comunicação com conhecimentos específicos, criar e produzir lives potencializa, não dispensa, essa necessidade.

Não basta ter estúdio, ligar câmeras e usar um serviço de streaming seguro. São as pessoas, com preparo, experiência e sensibilidade, que comandam a tecnologia para que a live, assim como o evento, seja eficiente e sedutora. O tech sem o touch não atrai nem prende a atenção.

As agências são especialistas em realizar projetos presenciais, híbridos ou virtuais atraentes, envolventes, engajadores. E fazem isso porque têm experiência em reunir, entreter e capacitar pessoas. Essa é a nossa expertise, independentemente do formato. Acredito que este ano novo vai consolidar e valorizar as agências que conseguirem humanizar os projetos virtuais, encantando os públicos e dinamizando os eventos.

Diversidade é valor, inteligência e caminho inevitável

Atrair, formar e manter times diversos é um caminho seguro para otimizar talentos e resultados. Estar conectado à realidade como ela é, perceber que a diversidade representa a maioria, faz diferença, pois diversos são nossos colaboradores, parceiros e clientes. Uma empresa que se conecta com a diversidade, se protege, melhora o clima organizacional, inova e atinge melhores resultados.

As pessoas querem se sentir representadas e, no mundo corporativo, demonstram cada vez mais esse engajamento. Empresas inteligentes buscam parceiros que respeitam e abraçam as diferenças.

Essas são ideias e conceitos nos quais já acreditava, mas que se consolidaram firmemente nesse ano absurdo e desafiador.

Já me convenci de que é tempo de parar de reclamar, agradecer os aprendizados de 2020 e liderar as transformações que farão de 2021 um ano melhor.

Bom ano novo para todos nós!

*Ronaldo Ferreira Júnior é conselheiro da Ampro – Associação das Agências de Live Marketing, CEO da um.a #diversidadeCriativa e sócio-fundador com a Pearson Educacional do programa de capacitação MDI – Mestre Diversidade Inclusiva

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