Lewandowski mantém quebra de sigilo de integrante do ‘gabinete do ódio’ pela CPI da Covid

Lewandowski mantém quebra de sigilo de integrante do ‘gabinete do ódio’ pela CPI da Covid

Assessor especial da Presidência, José Matheus Salles Gomes é suspeito de ter disseminado fake news sobre a pandemia de dentro do Palácio do Planalto

Redação

12 de julho de 2021 | 20h45

Palácio do Planalto. Foto: André Dusek/Estadão

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve as quebras de sigilo contra o assessor especial José Matheus Salles Gomes, que trabalha na assessoria da Presidência da República, solicitadas pela CPI da Covid. O assessor é apontado como integrante do “gabinete do ódio”, e senadores que integram a CPI suspeitam que ele tenha participado na disseminação de fake news sobre a pandemia, como a defesa de medicamentos que não têm eficácia comprovada contra a covid-19 e a ideia de que o País deveria perseguir a “imunidade de rebanho” sem conter as infecções na população.

Lewandowski autorizou a comissão a quebrar os sigilos bancário, telefônico e telemático do investigado, mas não os dados de geolocalizaçao que constam em seu celular. O ministro explicou que a quebra do sigilo de dados de geolocalização é debatido em uma ação que está tramitando hoje no STF, com relatoria da ministra Rosa Weber, e que seria prematuro permitir a liberação dessas informações sem que o julgamento da ação seja concluído.

“Observo a pertinência da linha adotada na CPI da Pandemia no sentido de analisar os resultados prejudiciais que a desinformação pode ter trazido no combate à crise da Covid-19”, escreveu Lewandowski.

Segundo a CPI, Salles Gomes é suspeito de ser um “protagonista na criação e/ou divulgação de conteúdos falsos na internet”. A comissão diz que o gabinete teria disseminado mensagens com conteúdo falso, “com objetivo de executar estratégias de confronto ideológico e de radicalização dos ataques nas redes sociais contra adversários”.

A defesa alegou que os ‘fundamentos para a quebra da amplitude dos sigilos decorrem de ilações acerca da suposta existência de um ‘gabinete do ódio’’ e ressaltou que o ‘impetrante (Salles Gomes) não participou da comissão sequer como testemunha’. O ministro não aceitou os argumentos.

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