Lewandowski manda para Corregedoria do MPF denúncia de que Lava Jato ‘negociou’ compra de equipamento de espionagem

Lewandowski manda para Corregedoria do MPF denúncia de que Lava Jato ‘negociou’ compra de equipamento de espionagem

Redação

26 de julho de 2021 | 19h07

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Na esteira das mensagens apreendidas na Operação Spoofing, a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou petição nesta segunda-feira, 26, no Supremo Tribunal Federal sustentando que a força-tarefa da Operação Lava Jato teria ‘negociado a contratação’ de equipamentos de ‘espionagem cibernética’, incluindo o Pegasus – spyware de uso militar que ganhou as manchetes internacionais após um consórcio de imprensa mostrar que ele foi usado em ao menos 10 países para espionar 37 celulares pertencentes a jornalistas, ativistas de direitos humanos e executivos.

A petição é mais uma que a defesa de Lula apresenta ao STF no âmbito de reclamação que garantiu ao petista acesso às mensagens apreendidas no âmbito da investigação que que mirou hackers de autoridades, como o ex-juiz Sérgio Moro e procuradores da Lava Jato em Curitiba. O processo é relatado pelo ministro Lewandowski, que encaminhou o documento ao Procurador-Geral da República e à Corregedoria-Geral do Ministério Público Federal.

Documento

No documento enviado ao STF, a defesa de Lula apresenta dois conjuntos de conversas apreendidas na Spoofing, sendo que o primeiro deles menciona a ideia de criar um ‘bunker de investigação’ no gabinete do ex-chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol.

Já em uma outra sequência de diálogos atribuídos aos procuradores, menciona-se uma reunião da força-tarefa da Lava Jato no Rio com uma empresa de Israel, sobre uma ‘solução’ que ‘invade celulares em tempo real’. Nas mensagens também são citados ‘problemas, como o custo, e óbices jurídicos a todas as funcionalidades’. Ainda ao longo do diálogo, um dos integrantes do grupo ‘Filhos de Januário’ envia um link que ‘fala sobre’ o equipamento Pegasus.

Em nota, a força-tarefa da Lava Jato reagiu ao teor das mensagens, afirmando que o sistema Pegasus da empresa NSO Group não foi adquirido pelo Ministério Público Federal no Paraná. A Procuradoria também afirmou que ‘jamais negociou a aquisição de qualquer equipamento ou sistema’, argumentando que tal atribuição é da adminstração do MPF.

“Várias empresas procuraram a Lava Jato para oferecer soluções tecnológicas ao longo dos anos, as quais foram atendidas para que se pudesse conhecer os sistemas e avaliar se sua aquisição seria de interesse público. Nos casos em que as soluções se mostravam viáveis e potencialmente úteis para os trabalhos, as propostas foram encaminhadas para a Administração do MPF, o que não foi o caso do sistema referido”, diz o texto.

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