Lewandowski é eleito para cargo efetivo no TSE

Lewandowski é eleito para cargo efetivo no TSE

Ministro vai assumir cadeira deixada pelo colega Luís Roberto Barroso, que se despede da Corte Eleitoral em meio aos ataques da militância bolsonarista

Rayssa Motta

17 de fevereiro de 2022 | 15h06

Ricardo Lewandowski vai assumir cadeira no TSE. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi eleito nesta quinta-feira, 17, pelos colegas para assumir uma vaga efetiva no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde já atua como membro substituto.

“Agradeço, sensibilizado, o voto dos eminentes colegas e me comprometo a tudo fazer para honrar a confiança em mim depositada”, disse o ministro após o anúncio da eleição.

A cadeira foi aberta com o término do mandato do ministro Luís Roberto Barroso, que na próxima terça-feira, 22, entrega a presidência do TSE ao colega Edson Fachin.

Lewandowski também aproveitou para elogiar a gestão de Barroso: “Muita coragem neste momento histórico de grande turbulência.”

O TSE é composto por, no mínimo, sete ministros efetivos: três oriundos do Supremo, dois vindos do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois juristas nomeados pelo presidente da República a partir de uma lista tríplice indicada pelo STF. Os membros são indicados para mandatos de dois anos, renováveis por mais um biênio.

Críticas a Bolsonaro

Mais cedo, em sua última sessão como presidente do TSE, Barroso fez duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e disse que o Brasil vive um ‘momento de deprimente desvalorização mundial’.

“Nos últimos tempos, a democracia e as instituições brasileiras passaram por ameaças das quais acreditávamos já haver nos livrado”, comentou ao listar episódios recentes em que o presidente ensaiou investidas autoritárias.

O ministro também comparou Bolsonaro ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que irresignado com a derrota nas urnas para o democrata Joe Biden passou a dizer que houve fraude na votação.

“Uma das estratégias das vocações autoritárias em diferentes partes do mundo é procurar desacreditar o processo eleitoral, fazendo acusações falsas e propagando o discurso de que ‘se eu não ganhar houve fraude’”, afirmou Barroso.

“Sempre relembrando que, nos Estados Unidos existe voto impresso e o candidato derrotado não apenas jamais reconheceu a derrota como até hoje sustenta a tese de que houve fraude e a eleição foi roubada. A moral da história, como já disse anteriormente, é que não há remédio na farmacologia jurídica contra maus perdedores”, seguiu o ministro.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.