Lewandowski autoriza novamente entrevista de Lula, mas palavra final fica com Toffoli

Lewandowski autoriza novamente entrevista de Lula, mas palavra final fica com Toffoli

A decisão foi proferida depois do presidente do STF manter nesta segunda-feira a proibição de Lula falar com a imprensa

Amanda Pupo e Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

03 Outubro 2018 | 19h33

REUTERS/Adriano Machado

BRASÍLIA – O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu nesta quarta-feira, 03, o pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e autorizou, novamente, que o petista seja entrevistado da cadeia. A decisão é dada depois do presidente do STF, ministro Dias Toffoli, manter nesta segunda-feira a proibição de Lula falar com a imprensa. Como ainda vigora esta determinação da presidência, Lewandowski enviou o caso para Toffoli decidir como será executada sua autorização, ou seja, a palavra final em torno do imbróglio ficará com a presidência.

A possibilidade de Lula conceder entrevistas da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde está preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, gerou um recente embate entre Lewandowski e o ministro Luiz Fux, envolvendo também o presidente do STF, ministro Dias Toffoli. O episódio acabou com Lula sendo vetado de dar entrevistas até que o plenário da Corte decida sobre a matéria.

Depois do ocorrido, agora, o próprio Lula pediu que Lewandowki autorize as entrevistas – foi sobre isso que o ministro decidiu nesta quarta.

EMBATE. O imbróglio envolvendo a possibilidade de Lula conceder entrevistas começou com os pedidos do jornal Folha de S. Paulo e do jornalista Florestan Fernandes Júnior feitos ao STF. Em resposta a estas solicitações, Lewandowski autorizou as entrevistas na última sexta-feira, 28, mas, no mesmo dia, a decisão foi cassada pelo vice-presidente da Corte, Fux, na condição de presidente em exercício.

Nesta segunda-feira, no entanto, Lewandowski reafirmou a autorização e atacou a decisão de Fux, dizendo que o despacho do colega é “absolutamente inapto a produzir qualquer efeito no ordenamento legal”.

O episódio, que gerou grande tensão na Corte, precisou da intervenção do presidente Toffoli, que resolveu, ainda na segunda, manter a proibição de Lula dar entrevistas até que o plenário do STF discuta sobre a matéria.