Leonelzinho Alencar (PT do B) vira réu por desvio e lavagem de dinheiro

Leonelzinho Alencar (PT do B) vira réu por desvio e lavagem de dinheiro

Ex-vereador de Fortaleza, também denunciado por organização criminosa, está com os bens bloqueados por ordem judicial

Gabriela Caesar, especial para o Blog

30 Setembro 2015 | 13h29

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O ex-vereador de Fortaleza Leonelzinho Alencar (PT do B) tornou-se réu pelos crimes de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O juiz Ireylande Prudente Saraiva, da 18a Vara Criminal de Fortaleza, recebeu na segunda-feira, 28, denúncia do Ministério Público do Estado do Ceará contra Leonel Alencar Junior, nome de batismo de Leonelzinho.

Também foi determinada a apreensão de bens de Leonelzinho e outros réus no processo. De acordo com a Promotoria, eles foram adquiridos de maneira ilícita, com dinheiro desviado do gabinete do ex-vereador.

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A Promotoria aponta que a filha do proprietário da empresa Editora Georotas Ltda Me, Cynthia, participava do mesmo esquema para acumular dinheiro para a campanha das eleições de 2014. A quantia teria sido destinada para despesas com serviços gráficos contratados à empresa Apareça Comunicação Visual, da qual Cynthia é sócia. No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Apareça Comunicação Visual aparece como tendo recebido dois pagamentos da campanha de Leonelzinho, nos valores de R$ 6.786 e R$ 4.230. Os valores representam 9,11% dos gastos totais do então candidato a deputado federal, informados ao TSE. Na época, ele teve 29.217 votos e não foi eleito.

O Ministério Público do Ceará anexou à denúncia imagens do circuito interno de uma agência bancária que mostram “os supostos assessores realizando os saques e entregando o produto do crime em espécie ao operador fraudulento”, em dias diferentes.

Segundo a ação, outros funcionários fantasmas entravam na folha de pagamento da Câmara Municipal de Fortaleza, mas prestavam serviços ao centro social vinculado à família de Leonelzinho, o Instituto Jáder Alencar. O estabelecimento leva o nome do avô do ex-vereador. O tio de Leonelzinho, Solinésio Fernandes Alencar, já foi presidente do instituto. Segundo a denúncia da Promotoria, Solinésio é um dos responsáveis por dar destino ao dinheiro desviado. Ele é investigado sob a acusação de ter recebido verbas de Fortaleza, requeridas por emendas parlamentares, em troca do apoio de Leonelzinho à base governista do Legislativo municipal.

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Uma das principais mentoras do esquema, aponta o texto, é a irmã de Leonelzinho, Leonella Alencar Damasceno. Ela “tinha pleno conhecimento do esquema” e “mantinha constante interlocução”, sendo denunciada como corré.

Para usufruto do centro social, a denúncia informa que foi comprado um Chevrolet Montana para funcionar como ambulância, adesivada com a logo e o nome do instituto, com recursos desviados. Foram adquiridos também três carros para a campanha eleitoral, um Chevrolet Celta, um VW Gol e um Fiat Uno. O grupo teria negociado todos os veículos com a concessionária Paris Dakar Veículos, assim como uma Mitsubishi L200. Os pagamentos ocorreram de forma ilícita, segundo a Promotoria. Um dos sócios da Paris Dakar Veículos, Adefábio Dayson Andrade Gomes, é acusado de participar do esquema por lavagem de dinheiro.

Na denúncia, entende-se que o delator do esquema era o operador do esquema, a serviço de Leonelzinho. O homem entregou à Promotoria documentos que ligam o nome do ex-vereador aos crimes. Um deles reúne os dados necessários para realizar movimentações financeiras, em nome dos funcionários fantasmas, como nome do titular da conta e dos pais, senha, data e local de nascimento. A denúncia também afirma que o ex-vereador contraía empréstimos em nome de terceiros, como uma empregada doméstica, que era sua funcionária fantasma. O operador ficava responsável, inclusive, por pagar as multas da Justiça Eleitoral em nome do ex-vereador. O material entregue pelo delator inclui boletos de pagamento, planilhas, contra-cheques, cartões magnéticos e extratos bancários de funcionários fantasmas, registros de conversas no WhatsApp do delator com o ex-vereador, entre outros.

O nome do ex-vereador já esteve envolvido em uma série de escândalos em Fortaleza. Em agosto de 2012, descobriu-se que a então esposa do ex-vereador, Adriana Lucia Bezerra de Alencar, recebia Bolsa Família, embora não se enquadrasse nos critérios para participar do programa. Na época, os vereadores chegaram a instalar uma CPI para investigar as fraudes no programa Bolsa Família. Já em setembro daquele ano, uma operação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) encerrou evento que oferecia feijoada e cerveja por R$ 1 cada em Messejana, mesmo bairro em que fica o Instituto Jáder Alencar, o que configura compra de voto. Fixado na parede do local, material de campanha de Leonelzinho fazia ainda propaganda para o ex-vereador.

Procurado pela reportagem, o advogado de Leonelzinho, Paulo Quezado, afirmou que ainda não teve acesso ao processo. “Vou aguardar a citação para apresentar os documentos e mostrar que ele (o réu) não teve participação nos pagamentos dos assessores. Havia um coordenador, e ele era o responsável pelos pagamentos”, disse. Segundo ele, o ex-vereador não pode ser encontrado neste momento e tem trabalhado como professor de educação física.

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