Leonardo ‘polícia’ e Aroldinho PF: Promotoria não queria ex-faz tudo Queiroz no Batalhão da PM no Rio por risco de ‘tratamento privilegiado’

Leonardo ‘polícia’ e Aroldinho PF: Promotoria não queria ex-faz tudo Queiroz no Batalhão da PM no Rio por risco de ‘tratamento privilegiado’

Ministério Público do Rio viu 'risco iminente' de que mesmo preso cautelarmente, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro continuasse a praticar delitos se ficasse no BEP; isso porque em agendas apreendidas na casa do ex-PM havia anotações com nomes de 'policiais militares e federais que, aparentemente, poderiam, em tese, facilitar sua vida' no presídio

Pepita Ortega, Caio Sartori, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

19 de junho de 2020 | 12h54

Além da prisão preventiva do ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz, o Ministério Público do Rio de Janeiro solicitou à Justiça que encaminhasse o ex-PM para Bangu, e não para o Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar do Rio. A Promotoria viu ‘risco iminente’ de que mesmo preso cautelarmente, Queiroz continuasse a praticar delitos se fosse custodiado no BEP. Isso porque em agendas apreendidas na casa do ex-assessor de Flávio Bolsonaro havia anotações com nomes de ‘policiais militares e federais que, aparentemente, poderiam, em tese, facilitar sua vida’ no presídio.

Nos papéis apreendidos pela Polícia, com as marcas ‘Jesus, eu confio em Vos’, estavam registrados os nomes de ‘Leonardo policia’ e ‘Aroldinho policial federal’. Sob a primeira inscrição constava ‘B.E.P’ e ‘amigo do Queiroz’. Já no segundo documento está escrito: “Aroldinho pode chegar até o Queiroz caso seja preço (sic)”.

Foto: Reprodução/MP-RJ

O juiz Flávio Nicolau, da 27ª Vara Criminal da Capital, levou em consideração os apontamentos da promotoria ao decretar a prisão de Queiroz. Ele foi capturado na manha desta quinta, 18, em uma casa em Atibaia, de propriedade do advogado Frederick Wassef, que defende o senador Flávio Bolsonaro no caso das ‘rachadinhas’.

Além de Queiroz, Nicolau mandou prender sua mulher Márcia Oliveira Aguiar, que é considerada foragida pelo Ministério Público do Rio. Segundo os investigadores, a prisão preventiva era a única medida cautelar que impediria o ex-assessor de Flávio Bolsonaro e sua mulher, Márcia Oliveira de Aguiar, ‘de fugirem da Justiça ou de destruir provas, pressionar testemunhas e coinvestigados, na tentativa de obstaculizar o prosseguimento regular da investigação e da futura ação pena’.

As ações fizeram parte da Operação Anjo, que mirou ainda ex-funcionários da Assembleia Legislativa do Rio, um servidor da casa que foi afastado e um advogado. Os investigadores apontaram Queiroz como operador financeiro da organização criminosa instalada no gabinete do senado Flávio Bolsonaro, quando deputado estadual no Rio. Segundo o MP-RJ, Queiroz chegou até a pagar mensalidades escolares das filhas do de Flávio.

Na decisão, o juiz da 27ª Vara Criminal da Capital determinou que, em razão os documentos apreendidos, indicando que Queiroz ‘poderia ter tratamento privilegiado no Batalhão Especial Prisional’, deveria constar do mandado de prisão do ex-PM seu encaminhamento para ‘unidade prisional compatível com a sua segurança’, preferencialmente no Complexo de Gricinó, em Bangu, ‘vedando em qualquer hipótese’ a custódia de Queiroz no B.E.P.

Preventiva

Ao analisar a representação do MP-RJ, o juiz Nicolau entendeu que além de haver prova da existência dos crimes e indícios suficientes de autoria, estava presentes três hipóteses que autorizam a decretação de prisão preventiva – a conveniência da instrução criminal, a garantia da ordem pública e o asseguramento da aplicação da lei penal.

O magistrado destacou a ‘periculosidade’ de Queiroz, que mesmo ‘escondido em Atibaia’, ainda tinha influência sobre milicianos do Rio e influência política para pleitear nomeações em cargos comissionados. O juiz menciona que a mulher de Queiroz o comparou a ‘um bandido que tá preso dando ordens aqui fora, resolvendo tudo’.

Para Nicolau, tal indicação ‘demonstra que Queiroz poderia ameaçar testemunhas e outros investigados e obstaculizar a apuração dos fatos, perturbando assim, o desenvolvimento da investigação e de futura ação penal’.

“Aliás, o Ministério Público evidenciou que a influência do aludido investigado surtiu efeitos negativos sobre a investigação, pois apenas uma pessoa compareceu no Ministério Público para prestar depoimento, enquanto outras foram orientadas a não comparecer, já tendo ele, inclusive, orientado, por exemplo, Raimunda Vera Magalhães a permanecer escondida, temendo a retomada da investigação. É notória a influência deletéria do referido investigado sobre a presente investigação”, registrou Nicolau em sua decisão.

O juiz também destacou que foi ‘exaustivamente demonstrado’ pelo MPR-RJ que Queiroz e sua mulher ‘estão se escondendo, recebendo auxílio de terceiro’. Além disso, indicou que não pode se perder de vista que ambos ‘cogitam fugir caso tenham ciência de que foi decretada sua prisão preventiva’.

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