Leia toda a denúncia contra Geraldo Alckmin por R$ 11,3 milhões da Odebrecht

Leia toda a denúncia contra Geraldo Alckmin por R$ 11,3 milhões da Odebrecht

Ministério Público Eleitoral de São Paulo imputa ao tucano crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral

Pepita Ortega e Fausto Macedo

23 de julho de 2020 | 11h53

O ex-governador Geraldo Alckmin. Foto: Wilson Pedrosa/Estadão

Denúncia de 87 páginas apresentada pelo Ministério Público Eleitoral de São Paulo nesta quinta, 23, aponta que o ex-governador Geraldo Alckmin, ‘solicitou e recebeu para si, por meio de interposta pessoa, em razão de sua função’ propinas de R$ 11,3 milhões da empreiteira Odebrecht nas campanhas ao ao Palácio dos Bandeirantes em 2010 e em 2014. A promotoria imputa ao tucano crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral.

A acusação, subscrita pelos promotores Fábio Bechara, Everton Zanella, Luiz Ambra, João Santa Terra e Rodrigo Caldeira, atinge ainda Marcos Antônio Monteiro, tesoureiro da campanha de 2014, e o ex-assessor da Secretaria de Planejamento do tucano, Sebastião Eduardo Alves de Castro.

Na denúncia, os promotores detalham como Alckmin teria recebido os valores da Odebrecht – R$ 2 milhões em espécie na campanha ao Palácio dos Bandeirantes em 2010 e R$ 9,3 milhões quando disputou a reeleição, em 2014.

“Os recursos não foram registrados nas prestações de contas do candidato (falsidade ideológica), que solicitou e recebeu vantagem indevida (corrupção passiva), pagas pelo setor de operações estruturadas da Odebrecht, a partir do emprego de métodos ilícitos como uso de ‘doleiros’, com o fim de ocultar a origem dos valores e dificultar a possibilidade de seu rastreio (lavagem de dinheiro). Esses recursos destinavam-se, num primeiro momento, ao financiamento eleitoral indevido (não declarado) e, num momento seguinte, pós eleições, à manutenção da influência do grupo empresarial junto ao governo”, afirmou a Promotoria em nota.

Na denúncia, os promotores apontam que o intermediário entre a empreiteira e Alckmin em 2010, foi Adhemar César Ribeiro, cunhado do então candidato. Já em 2014, a Promotoria aponta que coube ao tesoureiro Marco Antônio Monteiro ‘fazer a ponte entre aqueles que autorizaram, planejaram e executaram os pagamentos e o político’.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE GERALDO ALCKMIN

Geraldo Alckmin, por meio de sua defesa, lamenta a denúncia oferecida, pois jamais foi procurado pelas autoridades policiais para se manifestar a respeito dos fatos. As apressadas conclusões do inquérito são infundadas e não encontram suporte nos fatos. Por isso, confiante na Justiça, responderá aos termos da denúncia, seguro de que não praticou qualquer ilícito, até porque nunca recebeu valores a título de contribuição de campanha eleitoral que não tenham sido devidamente declarados. Nem, tampouco, praticou qualquer ato de corrupção durante mais de 40 anos de vida pública.

São Paulo, 23 de julho de 2020

José Eduardo Rangel de Alckmin OAB/DF 2.977

Marcelo Martins de Oliveira OAB/SP 81.138

COM A PALAVRA, MARCO VINHOLI, PRESIDENTE ESTADUAL DO PSDB

O Diretório Estadual do PSDB-SP reitera sua confiança na idoneidade do ex-governador Geraldo Alckmin. Em seus mais de 40 anos de vida pública, Alckmin manteve uma postura de retidão e respeito à lei sem jamais abrir mão dos princípios éticos e de seu compromisso em servir ao setor público e ao cidadão.  Acreditamos na Justiça e temos convicção de que, ao final do processo, os fatos serão devidamente esclarecidos.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO VINICIUS LAPETINA QUE DEFENDE SEBASTIÃO EDUARDO ALVES DE CASTRO

A defesa de Sebastião Eduardo Alves de Castro se vê surpresa com as notícias veiculadas na data de hoje, acerca de possível acusação formulada contra seu cliente. Os advogados ainda estão se inteirando da acusação formulada pelo Ministério Público Eleitoral, mas, de antemão, acreditam que os fatos atribuídos a ele, além de muito antigos, são fruto de um trabalho de investigação atabalhoado e com conclusões prematuras da Polícia Federal, possivelmente pautados em elementos ilícitos.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.