Leia por que Bretas mandou prender Eike

Leia por que Bretas mandou prender Eike

O empresário foi preso na manhã desta quinta, 8, em um desdobramento da Lava Jato no Rio denominada Segredo de Midas; Luiz Arthur Andrade Corrêa responsável financeiro pelo grupo do 'ex-bilionário' também é alvo da ação

Caio Sartori / Rio, Pepita Ortega e Fausto Macedo / São Paulo

08 de agosto de 2019 | 09h21

Eike Batista. FOTO: FABIO MOTTA/ESTADÃO

Para decretar as prisões do empresário Eike Batista e de Luiz Arthur Andrade Corrêa, responsável financeiro pelo grupo do ‘ex-bilionário’, o juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio considerou que supostas condutas da dupla indicam ‘a prática de crimes contra o mercado de capitais, quais sejam, manipulação de mercado e uso indevido de informação privilegiada’.

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Segundo o  Ministério Público Federal, Eike e Luiz teriam ‘manipulado o mercado de capitais interferindo na precificação dos ativos financeiros, em cinco situações distintas, sendo cada uma relativa a um ativo diferente’.

Eike Batista foi preso na manhã desta quinta, 8, pela Polícia Federal em um desdobramento da Lava Jato no Rio denominada Segredo de Midas. Luiz Arthur Andrade Corrêa é alvo de um mandado de prisão preventiva.

Agentes cumprem ainda quatro ordens de busca e apreensão no Rio em endereços ligados a Eike, aos filhos do empresário Olin e Thor e ao executivo do Grupo X José Gustavo de Souza. Ao determinar as buscas, Bretas considerou a indicação do Ministério Público Federal de que o empresário ‘transferiu parte relevante de seu patrimônio a seus filhos, muito provavelmente com a finalidade de se furtar ao cumprimento das obrigações junto aos seus credores’.

A decisão de Bretas leva em consideração a delação premiada de Eduardo Plass. O banqueiro foi alvo da operação ‘Hashtag’ em agosto de 2018 e estaria ligado a esquema de corrupção envolvendo o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e Eike, segundo a investigação.

Segundo o documento, o Tag Bank e a empresa The adviser investments, controladas pelo colaborador, foram supostamente utilizados ‘para sediar as empresas fantasmas utilizadas por Eike e Luiz Arthur com a finalidade de manipular o mercado de ativos mobiliários a fim de
gerar capital para sustentar o esquema criminoso de pagamento de propina da organização criminosa chefiada por Sérgio Cabral’.

O MPF indicou que o suposto pagamento de propina de US$ 16,5 milhões por Eike ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral, em troca de participação em grandes empreendimentos do Estado, foi feito durante período em que o empresário e Luiz Arthur ‘manipularam o mercado de capitais’.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO FERNANDO MARTINS, QUE DEFENDE EIKE

“O advogado Fernando Martins informa que assim que obtiver acesso aos autos e motivos que fundamentaram a prisão de Eike Batista apresentará recurso, porque certamente essa nova ordem de prisão, assim como a anterior, carece de amparo legal.”

 

 

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