Leia o relatório que derrubou quatro vices da Caixa

Executivos de áreas estratégicas do banco foram afastados nesta terça-feira, 16, pelo presidente Michel Temer, que atendeu a recomendações do Ministério Público Federal e do Banco Central

Carla Araújo e Fabio Serapião/BRASÍLIA

17 Janeiro 2018 | 17h54

Após recomendação do Banco Central (BC) e do alerta do Ministério Público Federal (MPF) sobre uma possível punição, o presidente Michel Temer determinou ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e ao presidente da Caixa, Gilberto Occhi, que afastem, por tempo indeterminado, quatro vice-presidentes do banco que estão sendo investigados por corrupção. Depois da ordem do presidente, a Caixa informou que vai afastar os executivos para que eles possam “apresentar ampla defesa das acusações”.

Documento

A decisão de Temer significa uma derrota na queda de braço que o governo vinha travando com os procuradores da força-tarefa Greenfield. Em dezembro, os procuradores responsáveis pela investigação sobre desvios na Caixa recomendaram o afastamento dos 12 vice-presidentes do banco. Em resposta, a Caixa disse que não cumpriria as recomendações porque possui “um sistema de governança adequado à Lei das Estatais”.

A orientação do MPF, negada pela Caixa, tinha como base uma investigação independente contratada pela própria Caixa. Como mostrou a edição de ontem do Estado, a auditoria detectou casos de influência política no banco em ao menos quatro vice-presidências. O documento foi produzido pelo escritório Pinheiro Neto e foi anexado aos processos relacionados ao banco para reforçar as denúncias contra políticos e ex-funcionários que atuariam em favor de grandes empresas.