Leia o relatório da PF sobre Temer no ‘quadrilhão’

Leia o relatório da PF sobre Temer no ‘quadrilhão’

Declarações de Joesley delator e Funaro doleiro embasam pedido do delegado Marlon Cajado para incluir presidente em inquérito que envolve políticos do PMDB em desvios de verbas no âmbito da Lava Jato

Luiz Vassallo, Breno Pires e Rafael Moraes Moura

07 Agosto 2017 | 05h00

Michel Temer. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O relatório do delegado de Polícia Federal, Marlon Oliveira Cajado dos Santos – acolhido pela Procuradoria-Geral da República – que recomendou a inclusão do presidente Michel Temer, do ministro chefe da Casa Civil Eliseu Padilha e do ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, no inquérito do ‘quadrilhão’ do PMDB, que envolve políticos acusados de desvios de verbas públicas no âmbito da Lava Jato, ressalta a delação do doleiro Lúcio Funaro e gravação de conversa do presidente com o executivo da JBS Joesley Batista como indícios contra os peemedebistas.

Documento

O relatório da PF foi produzido em 26 de junho. Ao pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira, 2, para que os três peemedebistas sejam incluídos no rol de 15 investigados – entre eles, parlamentares, ex-parlamentares e assessores do partido – o procurador-geral da República, Rodrigo Janot considerou que a organização criminosa identificada a partir da delação da JBS é apenas um ‘desdobramento’ da que já era alvo no inquérito do ‘quadrilhão’.

O relatório da Polícia Federal que recomendou a inclusão de Temer, Padilha e Moreira Franco no inquérito e embasou o parecer da PGR destacou o áudio gravado por Joesley Batista, em conversa com o presidente, no Palácio do Jaburu, em março.

“Com a deflagração da recente ‘Operação Patmos’, decorrente da supracitada colaboração premiada, foi possível observar em um dos anexos, conversas entre Joesley Batista e o presidente Michel Temer, onde o primeiro comunica que estaria efetuando os pagamentos a Lúcio Bolonha Funaro e Eduardo Cunha, supostamente, para mantê-los em silêncio acerca dos ilícitos envolvendo atividades da J&F investimentos, além de planos para corromper Juízes e Procurador da República responsáveis pelas ações penais decorrentes das investigações das Operações Sépsis, Cui Bono e Greenfield”, ressaltou o delegado da PF Marlon Oliveira Cajado dos Santos.

O delegado também afirma que, no âmbito da Patmos, em que o doleiro Lúcio Funaro confessou seus crimes às autoridades, ‘surgiram novos relatos confirmando as atuações do chamado ‘PMDB na Câmara’ junto à Caixa Econômica Federal e citando suposto envolvimento de outras pessoas com foro originário no STF, sendo elas, o presidente Michel Miguel Elias Temer Lulia, o ministro chefe da Casa Civil Elideu Lemos Padilha, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência Wellington Moreira Franco, além de outros nomes’.

Temer foi gravado por Joesley no dia 7 de março. No diálogo, o empresário confessa ao peemedebista pagar mensalidade de R$ 50 mil ao procurador da República Ângelo Goulart a fim de vazar informações de inquéritos de interesse do grupo JBS.

Goulart foi preso preventivamente por suspeita de ser o informante de Joesley.
No diálogo, ainda é discutida uma suposta compra do silêncio de Eduardo Cunha, condenado a 15 anos e quatro meses na Operação Lava Jato.

Na mesma conversa, o presidente indica o seu então assessor Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para tratar de qualquer assunto com Joesley Batista.

O ex-parlamentar foi flagrado em ação controlada da PF pegando uma mala de R$ 500 mil do delator Ricardo Saud, da J&F. Segundo a delação dos executivos, o valor seria em benefício de Temer, e entregue de forma semanal, em contrapartida a uma suposta intervenção de Rocha Loures Junto ao CADE em benefício do grupo.

Rocha Loures está em regime domiciliar e o procurador da República Ângelo Goulart Vilela foi solto pelos ministros da 2.ª Turma do STF, com restrições – por exemplo, não poder entrar em contato com outros investigados e não sair à rua em período noturno.

O delegado Marlon Cajado sugere ‘diligências iniciais’, entre as quais. “Remeta-se os autos ao excelentíssimo ministro relator Edson Fachin, ao qual represento pela análise da ampliação do rol de investigados de pessoas com foro originário no STF, a saber, o presidente Michel Miguel Elias Temer de Lulia, o ministro-chefe da Casa Civil Eliseu Lemos Padilha, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República Wellington Moreira Franco.”