Leia o relatório da PF que indicia os seis hackers de Moro e Deltan

AO VIVO

Eleições: 2020: notícias, resultados e apuração do 2° turno

Leia o relatório da PF que indicia os seis hackers de Moro e Deltan

Documento de 177 páginas enviado à 10.ª Vara Federal de Brasília enquadra os investigados por organização criminosa, invasão de dispositivo informático alheio e interceptação de comunicação telemática ilegal

Pedro Prata e Fausto Macedo

19 de dezembro de 2019 | 20h00

Em documento enviado à 10.ª Vara Federal de Brasília nesta quinta, 19, a Polícia Federal relata as conclusões da investigação sobre a invasão dos celulares do presidente Jair Bolsonaro, do ministro Sérgio Moro, Justiça e Segurança Pública, e cerca de mil autoridades. No documento, os seis investigados são indiciados por integrar organização criminosa, invasão de dispositivo informático alheio e interceptação de comunicação telemática ilegal. Dentre os investigados, Suellen Oliveira foi indiciada apenas por participação em organização criminosa e Luiz Molição somente por interceptação ilegal.

Documento

Documento

 

Reprodução

Polícia Federal decidiu ainda abrir uma nova investigação para saber se houve financiamento para que o grupo praticasse as invasões é também para apurar possível crime de obstrução de investigações. Nesta próxima etapa, os investigadores vão apurar as informações apresentadas na delação de um dos hackers, Luiz Molição.

No indiciamento, a Polícia Federal informa que os ‘ataques’ do grupo alcançaram 1727 números telefônicos de vítimas diferentes. Ainda estão sendo feitas diligências para apurar a identidade de todas as vítimas.

Foto: Reprodução

De acordo com a PF, os hackers atuavam de duas formas. A primeira consistia da invasão de dispositivos informáticos para a extração das mensagens, documentos e agendas de contatos armazenados no aplicativo Telegram, que aguardavam as informações em servidores online sempre disponível. Na segunda, o monitoramento em tempo real das mensagens que eram trocadas pelas vítimas com outros interlocutores, através da ativação de novas seções do aplicativo por meio do programa Telegram Desktop instalado nos equipamentos dos criminosos.

“Em algumas situações, após a ativação de uma conta no Telegram vinculada do telefone do alvo, caso o aplicativo não estivesse instalado ou não fosse utilizado, os criminosos assumiam o controle da conta e passavam a enviar mensagens para terceiros como sendo a própria vítima.”

Ao ser preso pela Polícia Federal, Walter Delgatti Neto estava captando em tempo real as comunicações telemáticas de 99 pessoas pelo aplicativo Telegram Desktop, além de outras 30 pelo aplicativo no celular.

O serviço Telegram permite exportar todo o histórico de diálogos de uma conta. Ao analisar o computador de Delgatti, a perícia encontrou a exportação dos dados referentes a 48 contas.

 

Tudo o que sabemos sobre:

Polícia Federal

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.