Leia mais de mil páginas de e-mails de Marcelo Odebrecht

Leia mais de mil páginas de e-mails de Marcelo Odebrecht

Desde que deixou a prisão, em dezembro do ano passado, empreiteiro-delator tem se dedicado a pesquisar mensagens trocadas por ele em um universo de 480 mil e-mails, 230 mil anexos e 70 mil documentos disponíveis em um HD copiado de seu notebook

Julia Affonso

03 Setembro 2018 | 07h15

O empreiteiro Marcelo Odebrecht já entregou mais de 1,2 mil páginas de e-mails à força-tarefa da Operação Lava Jato desde que deixou a prisão em dezembro do ano passado, após dois anos e meio em regime fechado em Curitiba, beneficiado pelo acordo de delação que fechou com o Ministério Público Federal. O acervo contém mensagens escritas pelo delator da Odebrecht ou a ele enviadas.

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Após sair da cadeia, Marcelo Odebrecht ‘teve acesso ao HD contendo o espelhamento de seu computador apreendido’ pela Lava Jato. A cópia foi disponibilizada pelo Ministério Público Federal, que havia apreendido formalmente os arquivos.

“Somente mais recentemente, contudo, o colaborador teve acesso ao conteúdo de referido HD, que se fez possível mediante um programa de pesquisa/indexação e com os e-mails em parte descriptografados. Foi então que o colaborador pôde verificar haver aproximadamente 480 mil e-mails, 230 mil attachments e 70 mil documentos no espelhamento disponibilizado”, relataram os advogados do empreiteiro em documento enviado à Procuradoria da República em fevereiro e também em abril deste ano.

A defesa de Odebrecht narrou à Lava Jato que o empreiteiro ‘tem procurado filtrar os e-mails conforme o período em que foram trocadas as mensagens, seus interlocutores, além de outros critérios que possibilitem direcionar a pesquisa de forma mais efetiva’.

O delator está em prisão domiciliar em São Paulo.

“O colaborador já percebeu que esse exercício demanda um considerável tempo, tendo em vista, inclusive como já mencionado, o significativo volume de dados e arquivos existentes, de modo que tem priorizado a busca por elementos relativos ao objeto das ações penais que estão em trâmite”, informaram os advogados.