Leia a cobrança da Procuradoria ao Ibama por desmobilizar agentes do combate aos incêndios

Leia a cobrança da Procuradoria ao Ibama por desmobilizar agentes do combate aos incêndios

Ministério Público Federal cobrou informações da autarquia sobre decisão do Ministério do Meio Ambiente que ordenou a retirada dos servidores por falta de recursos

Fausto Macedo

24 de outubro de 2020 | 05h00

O Ministério Público Federal enviou ofício ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) cobrando informações sobre a desmobilização de agentes voltados ao combate de incêndios na Amazônia. A ação ocorreu após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, mandar os servidores retornarem imediatamente a suas bases a partir da meia-noite de quinta, 22.

Documento

No documento, a Procuradoria quer saber quais medidas o Ibama planeja adotar para remediar a sua situação financeira e quando as ações contra incêndios deverão ser retomadas, em especial na Amazônia.

O Estadão revelou que o Ibama está com contas de serviços básicos em atraso, incluindo faturas de contratos de manutenção predial, contas de luz e abastecimento de veículos. Na superintendência no Rio Grande do Sul, a energia foi cortada. O rombo já chega a mais de R$ 16 milhões.

Após a desmobilização, o Ministério do Desenvolvimento Regional anunciou que repassaria R$ 30 milhões ao Ministério do Meio Ambiente para cobrir as dívidas acumuladas no Ibama e também no Instituto Chico Mendes de Diversidade (ICMBio). O montante, porém, não resolve todo o problema financeiro das autarquias.

O governo federal também autorizou, de forma extraordinária, a liberação de R$ 16 milhões ao Ministério do Meio Ambiente, que deverá repassar R$ 8 milhões para cada autarquia. Cerca de 1.400 agentes que estavam em campo, no combate a incêndios, já se desmobilizaram por causa da falta de recursos.

Queimadas na Amazônia superam focos de todo o ano de 2019 Foto: Christian Braga / Greenpeace

Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que, entre janeiro e setembro deste ano, o Brasil, com todos os seus biomas, não perde tantas áreas para as queimadas desde 2012. Nos primeiros nove meses deste ano, o território nacional perdeu 226 mil km² para o fogo, superando o índice alarmante deste mesmo período do ano passado, quando 224 mil km² foram varridos pelas chamas.

O pantanal, o mais castigado dos biomas em 2020, perdeu 32.910 km² entre janeiro e setembro, quase o triplo dos 12.948 km² do mesmo intervalo de 2019. A Amazônia teve 62.311 km² perdidos, contra 59.826 no ano passado. Os focos de incêndios, atualizados diariamente, mostram que o fogo segue forte. Neste 21 dias de outubro foram registrados 2.687 focos de incêndio no pantanal, superando o volume registrado durante os 31 dias de outubro de 2019, que teve 2.430 focos.

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