Leia a acareação entre Costa e Baiano sobre repasse de R$ 2 mi à campanha de Dilma em 2010

Leia a acareação entre Costa e Baiano sobre repasse de R$ 2 mi à campanha de Dilma em 2010

Delatores ficaram frente a frente na Polícia Federal em Curitiba, confira o registro do encontro obtido pelo 'Estado'

Mateus Coutinho, Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

07 Novembro 2015 | 06h00

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Durante cerca de 10 horas nesta quinta-feira, 5, dois personagens emblemáticos da operação Lava Jato travaram uma tensa acareação na Polícia Federal em Curitiba. Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, suposto operador de propinas do PMDB, e Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, ficaram frente a frente e apresentaram versões distintas sobre um suposto repasse de R$ 2 milhões para a campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2010.

O ponto divergente dos relatos de Baiano e Costa – ambos delatores na Lava Jato – é o encontro que teria ocorrido em Brasília no comitê de campanha da petista com o ex-ministro Antonio Palocci, coordenador-geral da campanha.

VEJA O PRIMEIRO TRECHO DA ACAREAÇÃO

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Em sua delação, Baiano afirmou que Paulo Roberto Costa o acompanhou na reunião com Palocci. Na versão do lobista, os dois teriam ido ao encontro com o ex-ministro na capital federal no fim do primeiro semestre de 2010 em um Toyota Corrolla preto da Petrobrás. Segundo Baiano, no encontro foram tratados diversos assuntos, até que Paulo Roberto Costa teria relatado a Palocci sua situação na Petrobrás e seu medo de deixar a diretoria de Abastecimento com a eleição de Dilma Rousseff.

Na versão do lobista, Costa teria lhe relatado que Dilma não gostava dele e que também havia uma divisão no PP sobre sua permanência no cargo de diretor da estatal, o que teria levado ao encontro com Palocci. Na reunião, o ex-ministro teria indicado disposição de apoiar a permanência do então diretor, e também pedido o apoio deste para conseguir doações junto às empresas para a campanha de Dilma. Segundo Baiano, no encontro não foram discutidos valores, nem como se daria essa ajuda financeira.

O SEGUNDO TRECHO DA ACAREAÇÃO:

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Em sua delação, o ex-diretor da Petrobrás rechaçou a versão do lobista do PMDB. O ex-diretor afirmou que nunca se reuniu com Palocci e Baiano em Brasília e reafirmou sua versão de que recebeu o pedido de repasse de R$ 2 milhões de Alberto Youssef em nome do ex-ministro. O ex-diretor também disse que nunca tratou de repasses para o PT com Fernando Baiano. Na versão de Paulo Roberto Costa, ele teria se reunido ocasionalmente em hoteis com o lobista para tratar apenas de repasses da Andrade Gutierrez e da Queiroz Galvão dentro do esquema de propinas na Petrobrás. O ex-diretor ainda afirmou que nunca andou em um carro da estatal com Baiano.

Por causa dessa divergência, a Polícia Federal promoveu a acareação entre os dois delatores.

Na acareação, os dois mantiveram suas versões.

O ÚLTIMO TRECHO DA ACAREAÇÃO:

 

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COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA JOSÉ ROBERTO BATOCHIO, QUE DEFENDE ANTONIO PALOCCI:

O criminalista José Roberto Batochio, que defende Palocci, foi taxativo. “Estão querendo fazer uma delação de conciliação para tentar eliminar as insuperáveis e intransponíveis divergências. Mentiras ditas pelos três envolvidos (Fernando Baiano, Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef), um desmentindo o outro. Inventam mil mentiras, mas a verdade teima em aparecer. É um escândalo de invencionices com a finalidade de escapar da cadeia. Uma coisa absolutamente inidônea, claramente inverossímel com a qual não se compadece a seriedade da Justiça.”

Batochio reafirma que “Palocci jamais se reuniu com esse Fernando Baiano, não o conhece, nunca o viu na vida, em lugar algum”.

“É preciso que a Justiça cancele os benefícios aos mentirosos e deve faze-lo de ofício, sem ter que esperar ser provocada.A Justiça tem compromisso com a verdade e não com escambos, com trocas que escapam da moralidade.”

Perguntado se o desmentido de Paulo Roberto Costa foi bom para a defesa de Palocci, o advogado criminalista disse. “Foi bom para a verdade e para a Justiça.”

Batochio disse ter sido informado que, na acareação, Fernando Baiano confundiu-se até na hora de informar onde ficou hospedado em Brasília e quem fez a reserva para ele.