Lawtechs e legaltechs: a revolução digital no Direito

Lawtechs e legaltechs: a revolução digital no Direito

Marcelo Kramer*

13 de agosto de 2021 | 04h30

Marcelo Kramer. FOTO: DIVULGAÇÃO

As lawtechs e legaltechs chegaram para provar que a tecnologia pode fluir para as mais diferentes atividades profissionais, inclusive a conservadora área jurídica. Mesmo sendo um setor apegado à tradição, o Direito não ficou estagnado ante a revolução digital. É preciso que os profissionais da área legal acompanhem as evoluções tecnológicas com urgência, pois o futuro está sendo construído agora e já existem inúmeras inovações criadas especificamente para o segmento.

Um mapeamento realizado pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups) mostrou que o número de startups dedicadas ao Direito dobrou nos últimos cinco anos.  Elas são empresas de tecnologia que criam soluções inovadoras para o setor jurídico. Softwares de gestão de processos, ferramentas digitais e monitoradores legislativos são alguns exemplos dos produtos oferecidos.

Já a Associação Brasileira de lawtechs e legaltechs (AB2L) indica que desde 2017 esse número aumentou em 300% e que o país registra cerca de 150 startups desta natureza.  Esses novos atores no cenário jurídico têm feito as lideranças dos maiores escritórios de advocacia repensarem como seus serviços são prestados e não atingiram somente os grandes. Também fizeram com que pequenos escritórios, profissionais autônomos e outras partes deste ecossistema também renovassem sua forma de atuar no direito.

As plataformas criadas por estas startups ajudam os escritórios a aumentar a velocidade de seu trabalho e eliminar o desperdício de tempo. Isso auxilia na produtividade e resulta em mais horas faturáveis para um advogado. Dessa forma, práticas que exigem grande complexidade de análises e tarefas repetitivas, que ocupam muito tempo dos profissionais da área, ganham novas soluções de gerenciamento de tarefas. E, assim, otimizam um fluxo de trabalho que seria feito por uma ou várias pessoas.

Há inúmeros tipos de serviço prestados por estas empresas de inovação, como analytics e jurimetria que, com o uso de Inteligência Artificial, faz a análise e compilação de dados e jurimetria, podendo prever a decisão judicial a ser feita sobre determinada demanda. Os robôs dessas plataformas fazem uma “varredura” nas sentenças e acórdãos proferidos no Brasil, leem o conteúdo e fazem o cálculo da probabilidade de êxito com base no histórico de decisões de cada magistrado.

Também temos aquelas que agem na automação e gestão de documentos, startups que trabalham fazendo a automação de contratos e outros documentos jurídicos, e na gestão do ciclo de vida desses contratos e processos.

Já as empresas que atuam com compliance promovem ações voltadas para que se cumpram as normas legais nacionais e internacionais estabelecidas. Portanto, as ferramentas que elas disponibilizam desenvolvem e espalham uma cultura de integridade em outras empresas e, desse modo, evitam que elas sejam penalizadas por irregularidades administrativas, legais e éticas.

Além destas, levando inovação para o mercado do Direito existem startups especializadas em monitorar e promover a gestão das informações públicas que estão disponíveis para consultas online. E aquelas focadas na resolução de conflitos online com tecnologias que facilitam a mediação, arbitragem e negociação de acordos, sem a necessidade de recorrer à Justiça.

Em resumo, ao mesmo tempo que estas soluções oferecidas facilitam os processos dentro das empresas, elas também reduzem custos e tornam os serviços jurídicos mais acessíveis a um número maior de clientes. E, como todos sabemos, mais clientes, mais faturamento e mais faturamento resulta em crescimento.

Lawtechs e legaltechs são o presente e, certamente, se manterão no futuro do direito como a melhor e única estratégia. Vamos juntos nesta evolução?

*Marcelo Kramer é fundador e CEO da Clicksign

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