Lava Jato vê ‘indícios de irregularidades’ em R$ 40 mi de prestadora de serviços da Vivo ao grupo de Lulinha

Lava Jato vê ‘indícios de irregularidades’ em R$ 40 mi de prestadora de serviços da Vivo ao grupo de Lulinha

Rastreamento da Mapa da Mina, fase 69 da operação, indica transferência à editora de Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do ex-presidente, por projeto que teria tido retorno 'extremamente baixo'

Paulo Roberto Netto

11 de dezembro de 2019 | 17h43

A força-tarefa da Lava Jato viu ‘indícios de irregularidades’ em repasses da Movile Internet Móvel, que prestou serviços ao grupo Vivo/Telefônica no projeto ‘Nuvem de Livros’, ao grupo Gamecorp/Gol, controlado pelo empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do ex-presidente Lula. Segundo os procuradores da Lava Jato, entre 2014 a 2016, a Movile repassou R$ 40 milhões para a Editora Gol.

Os procuradores desconfiam do volume de repasses e as causas reais dos pagamentos.

A suspeita motivou pedido de buscas e apreensões nas sedes das três empresas em ação autorizada pela juíza Gabriela Hardt, da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, no âmbito da Operação Mapa da Mina, fase 69 da Lava Jato, deflagrada nesta terça, 10.

O Ministério Público Federal afirma que a operadora Vivo tinha relações com a empresa de Lulinha por meio do projeto ‘Nuvem de Livros’, plataforma virtual para acesso a obras literárias e vídeos educativos.

“Da análise da quebra de sigilo bancário, depreende-se que houve pagamentos da Movile Internet Móvel à Editora Gol no valor total de R$ 40.093.378,64 no período de 15 de janeiro de 2014 a 18 de janeiro de 2016”, aponta a Lava Jato.

Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do ex-presidente Lula. Foto: Alex Silva/Estadão

A parceria foi fechada após encontro entre Lulinha, Jonas Suassuna, sócio do filho do ex-presidente, Kalil Bittar, irmão de Fernando Bittar, e Antônio Carlos Valente, então presidente do grupo Telefônica no Brasil.

A proposta saiu do papel cinco meses após reuniões do ex-presidente com executivos da Telefônica na Espanha, em 2011.

O ‘Nuvem de Livros’, no entanto, apresentou retorno ‘extremamente baixo’, segundo relatório sobre assinantes divulgado a integrantes do grupo Gol em 2012.

Dos 56.418 usuários que receberam login e senha para acessar a plataforma, apenas 48 efetuaram o cadastro e, deste total, 24 estavam pagando pelo serviço por terem passado pela semana grátis de degustação.

Somente em 2013 que o Grupo Gol fecharia acordo com a Vivo para receber pagamentos pelo serviço, que seriam intermediados pela Movile Internet Móvel, com valores retroativos a setembro de 2012.

Até então, o valor dos repasses estava estimado em R$ 152 mil, mas não foi identificado em quebra de sigilo bancário.

Os procuradores ressaltam que a Movile Internet Móvel já tinha dívidas com o Grupo Gamecorp/Gol que, em dezembro de 2013, seriam superiores à R$ 1,5 milhão.

COM A PALAVRA, A MOVILE INTERNET MÓVEL
“O Grupo Movile preza pela transparência em sua atuação e está cooperando com as investigações do Ministério Público Federal do Paraná, fornecendo todas as informações solicitadas. A empresa não é o alvo principal da investigação e trabalha em total colaboração com as autoridades.

A Movile esclarece ainda que, diferentemente do citado no primeiro comunicado oficial emitido pelo MPF-PR, não pertence ao grupo Telefônica/Vivo. Somos um ecossistema brasileiro de empresas de tecnologia, com atuação global”.

COM A PALAVRA, A VIVO
“A Telefônica informa que a Polícia Federal está hoje em sua sede, em São Paulo, buscando informações a respeito de contratos específicos de prestação de serviços realizados. A empresa está fornecendo todas as informações solicitadas e continuará contribuindo com as autoridades. A Telefônica reitera seu compromisso com elevados padrões éticos de conduta em toda sua gestão e procedimentos.”

COM A PALAVRA, O GRUPO GAMECORP/GOL
A reportagem busca contato com a Assessoria de Imprensa da empresa. O espaço está aberto para manifestações.

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