Lava Jato tem mais 5 delatores

Lava Jato tem mais 5 delatores

Investigação sobre corrupção na Petrobrás, que avança para Eletronuclear e outras estatais, contabiliza agora 23 colaboradores, incluindo o empreiteiro Ricardo Pessoa, que firmou acordo com a Procuradoria-Geral da República

Redação

29 de julho de 2015 | 13h12

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Atualizada às 17h13

Por Ricardo Brandt, Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

A Operação Lava Jato tem cinco novos delatores, revela a força-tarefa do Ministério Público Federal, no Paraná, base das investigações sobre corrupção e propinas na Petrobrás que agora avança para a Eletronuclear. Os nomes de 4 colaboradores ainda são mantidos em sigilo pelos procuradores da Lava Jato. O quinto é o lobista Mário Góes, como informou a Globo News.

“As defesas atacam as delações, acusam que elas trazem fatos inverídicos. Mas, aos poucos, elas (as delações) foram confirmando o esquema e uma se encaixando na outra”, afirmou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da Lava Jato.

Documento do MPF cita 16 delatores. Um dos 6 nomes em sigilo é do lobista Milton Pascowitch.

Documento do MPF cita 16 delatores. Um dos 6 nomes em sigilo é do lobista Milton Pascowitch.

Até esta etapa da investigação, a Lava Jato – em seu 16º capítulo – contabiliza 23 delatores. Um deles, o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, assinou pacto diretamente com a Procuradoria-Geral da República, perante o Supremo Tribunal Federal.

Dos outros 22, 17 são conhecidos: o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa e seus familiares (a mulher Marici da Silva Azevedo Costa, as filhas Shanni Azevedo Costa Bachmann e Arianna Azevedo Costa Bachmann e os genros Humberto Sampaio de Mesquita e Marcio Lewkowicz), o ex-gerente da estatal Pedro Barusco, o doleiro Alberto Youssef e seu ajudante Rafael Ângulo Lopez, os empreiteiros que faziam parte da cúpula da Camargo Corrêa, Dalton Avancini e Eduardo Leite, os lobistas Julio Camargo, Milton Pascowitch e Shinko Nakandakari, e os empresários Augusto Ribeiro, Luccas Pace Junior e João Procópio. 

No entanto, o criminalista Ricardo Berenguer, que representa João Procópio, afirmou que o empresário não fez delação premiada na Operação Lava Jato. “Meu cliente fez um acordo de colaboração para repatriamento de ativos em contas mantidas no exterior, sem que para isso houvesse assunção de culpa. Ele (Procópio) não fez delação premiada , nunca efetuou acordo de delação”, declarou Ricardo Berenguer.

O delator mais recente é o lobista Milton PascowitchEm seus depoimentos, ele cravou que o ex-ministro da Casa Civil (Governo Lula) José Dirceu recebeu propinas do esquema na Petrobrás por meio de consultorias fictícias. Dirceu, por sua assessoria de imprensa, nega categoricamente recebimentos ilícitos.

Antes alvo de hostilidades de 10 entre 10 advogados de prestígio e tradição, o instituto da delação premiada praticamente tornou-se a regra no escândalo que abalou a gigante estatal e que mira em outras empresas públicas.

Alguns dos principais nomes da advocacia brasileira aderiram a esse expediente para garantir a liberdade de volta a seus clientes – pela via normal do direito processual, mergulhado em petições, habeas corpus e outros recursos, a vida está bastante difícil para os clientes, que não têm perspectiva de tão cedo sair da Custódia da Polícia Federal e no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na zona metropolitana de Curitiba, por onde já passaram os maiores empreiteiros do País.

Paulo Roberto Costa foi o primeiro delator da Lava Jato. Desde que escancarou o esquema de corrupção e propinas na estatal, ele prestou 118 depoimentos. Suas declarações apontaram nomes de deputados, senadores e governadores que teriam recebido porcentual de propinas pagas por empreiteiras.

 

Tudo o que sabemos sobre:

delação premiadaoperação Lava Jato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.