Lava Jato suspeita que doação de R$1 mi de Léo Pinheiro ao MDB foi recompensa a Vital do Rêgo por blindagem da OAS em CPMI da Petrobrás

Lava Jato suspeita que doação de R$1 mi de Léo Pinheiro ao MDB foi recompensa a Vital do Rêgo por blindagem da OAS em CPMI da Petrobrás

Ex-senador, que hoje é ministro do Tribunal de Contas da União, foi denunciado nesta terça-feira, 25, na fase 73 da Operação; força-tarefa informou que repasse está sendo apurado

Rayssa Motta, Pepita Ortega e Fausto Macedo

25 de agosto de 2020 | 20h40

Os investigadores da Operação Lava Jato suspeitam que a doação eleitoral de R$1 milhão da construtora OAS ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em 2014 foi combinada com o ex-senador Vital do Rêgo Filho como parte do pagamento de propinas em troca da obstrução dos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Petrobrás. A CPMI, que investigou casos de corrupção na estatal, foi presidida pelo emedebista.

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Segundo a força-tarefa, o pagamento, declarado nas contas partidárias, foi misturado a outras doações da construtora e o total distribuído a diretórios estaduais e comitês de campanha de candidatos do MDB.

O repasse está sendo investigado pela Lava Jato que, nesta terça-feira, 25, denunciou Vital do Rêgo pelo suposto recebimento de outros R$3 milhões da OAS para ‘blindar’ a empreiteira na CPMI. O ex-senador, que hoje é ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), teria trabalhado para impedir a convocação de empresários para prestarem depoimento e para garantir a elaboração do relatório final sem referência às empreiteiras e seus executivos.

Vital e outros cinco denunciados tiveram R$4 milhões bloqueados pela juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, a pedido da Lava Jato.

COM A PALAVRA, O MINISTRO VITAL DO RÊGO FILHO
O Ministro Vital do Rêgo foi surpreendido na manhã de hoje com a notícia de que procuradores da Força-Tarefa de Curitiba apresentaram denúncia nos autos de inquérito judicial que tramita há quase 5 anos e que dois procuradores-gerais da República – Rodrigo Janot e Raquel Dodge – não vislumbraram elementos para formalizar o pedido de ação penal.

Causa estranheza e indignação o fato de que a denúncia nasceu de um inquérito, aberto sem autorização do STF, Corte esta que ainda examina recurso contra a remessa da investigação para Curitiba/PR, em uma clara usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal.

COM A PALAVRA, O MDB
O MDB não consta como parte e tampouco foi denunciado no caso.
O ministro Vital do Rêgo deixou o MDB há seis anos.
Assessoria de Imprensa

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