Lava Jato SP faz buscas em operação contra ex-diretor da Dersa por lavagem de dinheiro

Lava Jato SP faz buscas em operação contra ex-diretor da Dersa por lavagem de dinheiro

Paulo Vieira de Souza foi preso em fevereiro e acumula penas que chegam a 172 anos de reclusão; agora os alvos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal são familiares, prestadores de serviço e pessoas ligadas ao engenheiro

Pepita Ortega e Fausto Macedo

29 de outubro de 2019 | 08h43

Paulo Vieira de Souza. Foto: Robson Fernandjes/Estadão

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram na manhã desta terça, 29, a Operação Pasalimani, nova etapa da Lava Jato em São Paulo que investiga possível prática de lavagem de dinheiro pelo ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, com a participação de familiares e prestadores de serviço. Preso desde fevereiro pela PF de Curitiba, o engenheiro é apontado como ‘operador do PSDB’ e acumula penas que passam de 172 anos de prisão.

Os agentes cumprem 11 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo (5), Taubaté (2), Ubatuba (2), Taboão da Serra (1) e Itapetininga (1). Os alvos das ordens são familiares e pessoas ligadas ao ex-diretor da Dersa, além de prestadores de serviço.

Entre os endereços-alvo da operação, estão a residência de Paulo Vieira de Souza e Ruth Arana de Souza, a casa da filha do engenheiro sua filha Priscila, uma propriedade de um irmão de Paulo. Além desses os policiais também vasculham os endereços de: Magna Freitas Carvalho Recursos Humanos e de sua administradora; de um motorista da família; do gerente e do contador do Hotel Giprita, assim como o endereço do próprio hotel; de prestador de serviço que auxilia no gerenciamento de pessoas jurídicas administradas por Paulo, como a P3T Empreendimentos e Participações Ltda.

A PF e a Procuradoria identificaram a possível participação dos investigados na gestão de empresas utilizadas para atos de lavagem e ocultação de documentos.

Segundo o Ministério Público Federal, a operação é resultado do aprofundamento das investigações sobre a lavagem dos dos recursos ilícitos obtidos por Paulo Vieira de Souza a partir de outros delitos, em especial peculato e corrupção.

Paulo Vieira de Souza. FOTO: JF DIORIO / ESTADÃO

Em fevereiro, Paulo Vieira foi condenado a 27 anos de prisão pelos crimes de cartel e fraude à licitação envolvendo obras da Dersa no Rodoanel Sul e no Sistema Viário. Um mês depois, o engenheiro recebeu a pena mais alta da Lava Jato, de mais de 145 anos, por peculato, inserção de dados falsos e associação criminosa em ação sobre supostos desvios de R$ 7,7 milhões que deveriam ser aplicados na indenização de moradores impactados pelas obras do Rodoanel Sul e da ampliação da avenida Jacu Pêssego.

O nome da operação, Pasalimani, faz referência à baía grega (Baía de Zea ou Pasalimani), na qual, segundo o MPF, foram disputadas as primeiras provas de natação das Olimpíadas modernas, em 1896. “O principal investigado, Paulo Vieira de Souza, é notório praticante de triatlo, modalidade composta por natação, corrida e ciclismo”, diz a Procuradoria.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem tenta contato com os advogados de Paulo Vieira de Souza. O espaço está aberto para manifestações.

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