Lava Jato Rio procura 12 por desvios na Eletronuclear e mira ex-ministro Silas Rondeau

Lava Jato Rio procura 12 por desvios na Eletronuclear e mira ex-ministro Silas Rondeau

Operação Fiat Lux, deflagrada nesta quinta-feira, 25, também tem como alvos o ex-deputado federal Aníbal Gomes e empresários e ex-executivos da Eletronuclear; desdobramento das operações Radioatividade, Irmandade, Prypiat e Descontaminação, a ofensiva tem base na delação de dois lobistas ligados ao MDB, Jorge Luz e Bruno Luz, que em 2017 foram presos por ordem do então juiz Sérgio Moro

Pepita Ortega e Fausto Macedo

25 de junho de 2020 | 07h18

O ex-ministro Silas Rondeau. Foto: Jamil Bittar / Reuters

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta, 25, a Operação Fiat Lux, novo desdobramento da Lava Jato no Rio  que mira responsáveis por contratos fraudulentos e pagamento de propina na Eletronuclear. Entre os alvos da investigação estão o ex-ministro Minas e Energia Silas Rondeau (MDB) – do governo Lula (2005-2007) – e o ex-deputado federal Aníbal Gomes, além de empresários e ex-executivos da Eletronuclear e pessoas envolvidas na lavagem de ativos.

Agentes cumprem 18 mandados de busca e apreensão e 12 de prisão temporária nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal. No Rio, as atividades são realizadas na capital, em Niterói e em Petrópolis. As ordens foram expedidas pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

A força-tarefa da Lava Jato ainda pediu o sequestro de R$ 207.878.147,18 em bens dos alvos da operação.

Entre os alvos das prisões temporárias está a filha do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear. A defesa diz que a ordem foi decretada como ‘forma de condução coercitiva’.

Segundo a PF, a operação teve como base a colaboração premiada de dois lobistas ligados ao MDB, Jorge Luz e Bruno Luz, que foram presos em 2017 na Operação Blackout, 38ª fase da Lava Jato, por ordem do ex-juiz Sério Moro, à época na 13ª Vara Federal de Curitiba.

O Ministério Público Federal indicou que nas delações de Jorge Luz e Bruno foi elucidado o pagamento de propinas em pelo menos seis contratos firmados pela Eletronuclear. “Os recursos eram desviados por meio de subcontratação fictícia de empresas de serviços e offshores, que por sua vez distribuíam os valores entre os investigados”, indicou a Procuradoria.

Em depoimento prestado em 2017, Jorge Luz revelou ter intermediado R$ 11,5 milhões em propinas a parlamentares do MDB. No mesmo ano, apresentou à 13ª Vara federal de Curitiba uma planilha com nomes de supostos beneficiários de parte dos repasses que fez por meio do uso de offshores no exterior, identificando US$ 418 mil remetidos a Renan Calheiros (MDB-AL), Jader Barbalho (MDB-PA), Silas Rondeau, e Aníbal Gomes (DEM-CE).

A Polícia Federal informou ainda que a ‘Fiat Lux’ mira pessoas que não foram abrangidas por operações deflagradas para investigar ‘envolvidos na organização criminosa que sitiou a Eletronuclear’, entre elas a Radioatividade, a Irmandade e a Prypiat. Assim, a operação tem como origem uma das primeiras fases da Lava Jato, a Descontaminação (16ª), que prendeu e condenou a 43 anos o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear.

Segundo o Ministério Público Federal, o nome da operação é é uma expressão latina que pode ser traduzida por ‘faça-se luz’ ou ‘que haja luz’.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO FERNANDO FERNANDES, QUE DEFENDE OTHON SILVA

“A decisão proferida de prisão temporária da filha se revela uma insistente ofensa à justiça e cravada na falta de humanismo em meio a perda de milhares de brasileiros. Coloca em risco a vida de policiais e de pessoas que já sofreram várias buscas anteriores e foram soltas por ordem de habeas corpus. Para atos desumanos em meio ao momento tão grave que assola o mundo, a defesa irá ingressar com habeas corpus apontando o Juizo Marcelo Bretas. Espera que a religiosidade pública e propagada do juízo se reverta em preces: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem Lucas 23:34”. Em razão da proibição pelo STF das conduções coercitivas, o judiciário de primeira instância está usando prisão temporária para depoimentos. Uma forma de descumprimento da decisão do STF. Estão de propagando no país as prisões temporárias que fazem com que os investigados cumpram 5 dias de prisão para prestar um simples depoimento.”

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