Lava Jato Rio denuncia empresários de ônibus e perito judicial por corrupção e lavagem de R$ 5,9 mi

Lava Jato Rio denuncia empresários de ônibus e perito judicial por corrupção e lavagem de R$ 5,9 mi

Charles Fonseca William teria recebido vantagens para beneficiar as empresas de Carlos Lavouras, Jacob Barata Filho e João Augusto Morais Monteiro

Pedro Prata e Fausto Macedo/SÃO PAULO e Caio Sartori/RIO

23 de dezembro de 2019 | 14h30

Reportagem atualizada às 13h de 24 de dezembro de 2019 para inclusão do nome completo de um dos denunciados, João Augusto Morais Monteiro.

A Procuradoria Federal ofereceu denúncia de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa contra o perito judicial Charles Fonseca William e de corrupção ativa contra os empresários Jacob Barata Filho (o ‘Rei dos Ônibus’), José Carlos Lavouras e João Augusto Morais Monteiro, do setor de ônibus no Estado do Rio de Janeiro, por propinas de R$ 5,9 milhões. Charles Fonseca William foi preso preventivamente pela Polícia Federal, no começo do mês, na Operação Expertus.

Ao contrário do que foi divulgado nesta segunda, 23, o nome completo do denunciado é João Augusto Morais Monteiro, e não João Augusto Monteiro.

Documento

Os procuradores afirmam que, entre 2012 e 2015, os empresários teriam pago R$ 1 milhão na compra de uma casa em Búzios e R$ 4,9 milhões em propinas entregues pela frota da transportadora de valores Transexpert, que ocultava valores para a organização criminosa liderada pelo ex-governador Sérgio Cabral (MDB-RJ).

Os acusados passam a responder por esses crimes após a 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro receber a denúncia. No documento, os 11 procuradores da Lava Jato no Rio narraram à Justiça que Charles William fazia perícias favoráveis às empresas de ônibus, atendendo aos fins da organização de Cabral. Entre maio de 2012 e maio de 2015, Lavouras, Barata Filho e Monteiro providenciaram 22 pagamentos, somando R$ 4,9 milhões, para o perito praticar atos em benefício de suas empresas, como em processos relativos ao rebaixamento das tarifas intermunicipais.

Foto: MPF/Reprodução

Além de fazer laudos a favor das empresas, Charles William se articulava com terceiros para ser nomeado no maior número possível de ações, o que demonstra sua grande influência no Tribunal de Justiça (TJ-RJ), em prejuízo até mesmo da confiança no sistema de justiça. O MPF já encaminhou informações para a Corregedoria Geral de Justiça do TJ tomar eventuais medidas cabíveis no caso.

“Há prova inequívoca da realização de atos de ofício praticados por Charles Fonseca William, em favor das empresas de ônibus”, afirma a Lava Jato Rio na denúncia.

“Como visto, Charles William se valeu de sua função de perito judicial, gozando da confiança de diversos magistrados, para se locupletar ilicitamente, aproveitando-se de sua influência em demandas judiciais que poderiam ensejar resultados desfavoráveis para as empresas de ônibus.”

Planilhas entregues pelo colaborador Álvaro Novis mostram que o total de pagamentos de propinas a Charles William chega a R$ 4,9 milhões. Foto: MPF/Reprodução

A equipe da força-tarefa chegou até Charles William após a colaboração premiada com o ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio de Janeiro (Fetranspor) Lélis Teixeira. Segundo ele, Charles tinha ‘boas relações com alguns dos juízes’ que julgavam as ações da federação.

O perito está na cadeia desde o dia 5 deste mês, quando foi deflagrada a Operação Expertus, que teve como base as delações premiadas de Lélis Teixeira, ex-executivo da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor), Álvaro Novis, operador de Cabral, e Marcelo Traça, ex-presidente do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio (Setrerj).

COM A PALAVRA, A DEFESA DE JACOB BARATA FILHO

“A defesa de Jacob Barata Filho nega os fatos imputados na denúncia e esclarece que o empresário sequer conhece o perito judicial citado pelo Ministério Público Federal.”

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem busca contato com a defesa dos demais denunciados. O espaço está aberto para manifestação. (pedro.prata@estadao.com) (paulo.netto@estadao.com)

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