Lava Jato Rio denuncia 62 na Operação ‘Câmbio, desligo’

Lava Jato Rio denuncia 62 na Operação ‘Câmbio, desligo’

Ação foi deflagrada em 3 de maio contra um 'grandioso esquema' de movimentação de doleiros, entre eles Dario Messer, que está foragido

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Luiz Vassallo, Fausto Macedo e Roberta Jansen/RIO

07 Junho 2018 | 12h44

Dario Messer. Foto: Reprodução/Facebook

O Ministério Público Federal denunciou 62 investigados na Operação ‘Câmbio, desligo’ nesta quarta-feira, 6. Na lista de acusados estão os doleiros Dario Messer, Roberto e Marcelo Rzezinski – irmãos -, Patrícia, Marco e Ernesto Matalon e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB).

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“Messer e os demais denunciados implementaram uma estrutura criminosa sofisticada, que tinha por finalidade a prática de, entre outros, crimes de evasão de divisas, contra o sistema financeiro nacional e corrupção ativa e passiva, bem como a lavagem dos recursos financeiros auferidos desses crimes e dos recursos utilizados no pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos”, relata a Procuradoria da República, no Rio.

De acordo com a acusação, 12 denunciados estão foragidos.

A Câmbio, desligo foi deflagrada em 3 de maio contra um ‘grandioso esquema’ de movimentação de recursos ilícitos no Brasil e no exterior por meio de operações dólar-cabo, entregas de dinheiro em espécie, pagamentos de boletos e compra e venda de cheques de comércio.

Lava Jato investiga 429 clientes do banco de Dario Messer

A força-tarefa da Operação Lava Jato, no Rio, atribui crimes de pertinência à organização criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção passiva e operação de instituição financeira não autorizada.

“O denunciado Dario Messer era líder da organização criminosa. Ele criou uma rede de lavagem de dinheiro, essencial para a prática de crimes como corrupção, sonegação tributária e evasão de divisas. Era sócio capitalista do “negócio”, no qual angariava 60% dos lucros, e ainda financiava o sistema, aportando nele recursos próprios”, afirma o Ministério Público Federal.

Segundo a Lava Jato, Messer era o ‘doleiro dos doleiros’.

“Capaz de dirigir, interligar, articular, racionalizar e potencializar os lucros de dezenas de operadores do mercado de negociação de moeda estrangeira que agiam à margem da lei, chegando a movimentar
entre os anos de 2011 e 2016 mais de US$ 1,652 bilhão, em contas que se espalharam por 52 países e que
envolveram mais de 3 mil offshores”, aponta.

Os procuradores indicam, na denúncia, que os irmãos gêmeos Marcelo e Roberto Rzezinski fizeram operações que totalizaram a US$ 12 milhões de 2011 a 2017.

A maioria das operações dos “irmãos Rzezinski” consistia na “venda” de dólares, ou seja, eles transferiam dólares no exterior para uma conta indicada pelos colaboradores e, em contrapartida, recebiam reais no Brasil, atuando como operadores financeiros de pessoas ligadas ao Partido do Movimento Democrático do Brasil (PMDB)”, anotam os investigadores.

A reportagem está tentando contato com todos os citados. O espaço está aberto para manifestação.

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