Lava Jato Rio confisca R$ 370 mi do clã do ‘doleiro dos doleiros’

Lava Jato Rio confisca R$ 370 mi do clã do ‘doleiro dos doleiros’

A pedido da Procuradoria da República, Justiça Federal homologa imediata devolução de R$ 270 milhões pelo empresário Dan Wolf Messer; acordo de delação fechado com familiares de Dario Messer, foragido, envolve ainda a entrega do equivalente a R$ 100 milhões em dinheiro, imóveis e obras de arte

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

09 de julho de 2019 | 13h08

Dario Messer. Foto: Reprodução/Facebook

A Justiça Federal no Rio homologou, a pedido da força-tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, a imediata devolução de R$ 270 milhões (US$ 82,3 milhões) pelo empresário Dan Wolf Messer, réu por evasão de divisas em esquema montado pela família Messer. O acordo de delação fechado com familiares de Dario Messer, o ‘doleiro dos doleiros’ – foragido – envolve ainda a devolução do equivalente a cerca de R$ 100 milhões em dinheiro, imóveis e obras de arte, além de renúncia a bens e direitos decorrentes de herança do patriarca da família.

Ao todo, informou a Procuradoria no Rio, somam-se os valores devolvidos de R$ 370 milhões.

Documento

“A repatriação dos valores mantidos em contas em Bahamas, Mônaco e Nova York vem avançando e cerca de R$ 240 milhões já estão à disposição da Justiça para serem revertidos aos cofres públicos”, destaca a força-tarefa.

Os recursos foram repatriados no âmbito do acordo de colaboração de Dan Wolf Messer, homologado pela Justiça. O filho de Dario Messer é, desde 2015, o único beneficiário direto de um fundo aberto com aporte do avô Mordko Messer, pioneiro da família no mercado de câmbio ilegal.

Os valores em instituições financeiras no exterior tinham sido depositados em 2004 e nunca foram declarados às autoridades brasileiras. Além de recursos, o colaborador forneceu documentos como provas de corroboração dos crimes, que incluem extratos das contas estrangeiras.

Como parte do acordo, o Ministério Público Federal pediu à Justiça que o processo ao qual Dan Messer responderia por evasão de divisas fique suspenso durante dois anos.

A suspensão está condicionada ao cumprimento de sete horas semanais de serviços à comunidade.

Nova ofensiva

Nesta terça, 9, a Polícia Federal, a Procuradoria e a Receita deflagraram mais uma etapa da Lava Jato no Rio, para avançar na investigação de um esquema de lavagem de dinheiro operado há pelo menos oito anos.

O juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, ordenou as prisões temporárias dos empresários Mario Libman e Rafael Libman, pai e filho, sócios das empresas Rali e Palazzo dos Artistas Empreendimentos Imobiliários, e investigados por suposta ligação com Dario Messer – ex-sogro de Rafael.

Alvo da Operação Câmbio, Desligo e atualmente foragido, Dario Messer já teve bloqueado no Brasil um patrimônio milionário, incluindo obras de arte e apartamentos de luxo, além de cerca de US$ 100 milhões em dinheiro e imóveis no Paraguai.

Seus filhos revelaram ao Ministério Público Federal um esquema de evasão de divisas encerrado a partir de acordo que possibilitou uma das maiores repatriações já feitas no Brasil.

Segundo a Procuradoria, a parceria de Messer com os Libman usou as empresas Rali e Palazzo, cuja sede formal é a mesma da loja Marina Joias em Copacabana, na movimentação de R$ 31,8 milhões entre 2011 e 2016.

Parte do dinheiro, recebido entre 2012 e 2014, foi usada por Mario Libman para pagar obras na cobertura de Messer no Leblon, e outra, de quase R$ 20 milhões, para comprar terrenos e construir imóveis no nome de suas empresas Rali e Palazzo dos Artistas.

Três construtoras e três condomínios residenciais também foram pagos por meio do esquema, informa a Procuradoria.

“Há evidências de que as milionárias entregas de dinheiro de Messer a Rafael por intermédio do seu pai foram fundamentais para as empresas deles alavancarem de forma totalmente desproporcional, sem lastro lícito, investindo no mercado de construção e venda de imóveis, ou seja, inserindo na economia formal produto de crime”, afirmam os procuradores da força-tarefa Lava Jato Rio.

Segundo os procuradores, ‘essa simbiose patrimonial entre Mario e Rafael Libman, advinda após a união estável entre este e Denise Messer (filha de Dario), é explicada tendo em vista que Dario Messer, ao mesmo tempo em que lavaria o seu dinheiro espúrio, também garantiria que a sua filha pudesse dispor de parte dos valores que amealhou em suas atividades de líder de organização criminosa voltada à lavagem e à evasão’.

Tendências: