Lava Jato revela ‘poder de influência’ de ex-deputado na Caixa e no Ministério da Saúde

Lava Jato revela ‘poder de influência’ de ex-deputado na Caixa e no Ministério da Saúde

Procurador da República que integra a força-tarefa da Operação afirma que 'existem evidências' de que André Vargas (ex-PT) aprovou termo de parceria entre o Ministério e laboratório do doleiro Alberto Youssef

Redação

14 de maio de 2015 | 17h36

IMG-20150514-WA0003

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Atualizada às 19h55

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Mateus Coutinho

O procurador da República Deltan Dallagnol, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato, declarou que “existem evidências” de que o ex-deputado André Vargas (ex-PT), preso sob suspeita de corrupção, “conseguiu a aprovação de um termo de parceria entre o Ministério da Saúde e o laboratório Labogen (empresa controlada pelo doleiro Alberto Youssef)”.

“(Vargas) tinha entrada no Ministério da Saúde”, disse o procurador.

Ele relatou, ainda, movimentos de Vargas na Caixa Econômica Federal no âmbito de contratos de publicidade. A força tarefa identificou “várias ligações para um terminal de um diretor (da Caixa) diretamente pelo celular de André Vargas”. Para os procuradores, a rotina de telefonemas do ex-parlamentar do PT “indica o poder de influência que ele tinha dentro dessas instituições”.

O procurador Deltan Dallagnol ressaltou que os contratos de publicidade com a Caixa e o Ministério da Saúde “serão objeto de aprofundamento das investigações”.

A força-tarefa da Lava Jato denunciou criminalmente à Justiça Federal os ex-deputados Pedro Corrêa (PP/PE), Luiz Argôlo (SD/BA), André Vargas (ex-PT/PR) e Aline Corrêa (PP-PE). São os primeiros políticos envolvidos no esquema de corrupção e propinas na Petrobrás formalmente denunciados pelo Ministério Público Federal. Ao todo, 13 pessoas foram denunciadas.

COM A PALAVRA, A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL.

A Caixa Econômica Federal esclarece que nos relatórios da Polícia Federal e na acusação oferecida hoje pelo Ministério Público, no âmbito da Operação A Origem, não houve nenhuma denúncia relativa a prática de irregularidades pela CAIXA ou por seus empregados.

Desde que tomou conhecimento dos fatos, a CAIXA prestou integral colaboração à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, enviando documentos e informações, conforme dados constantes na peça de acusação. A CAIXA instaurou apuração interna para os fatos objeto da investigação que envolvem as empresas IT7 e Borghi-Lowe. Os trabalhos da comissão estão em andamento.

A CAIXA ressalta que estão suspensos, desde o dia 10 de abril, todos os pagamentos de serviços prestados pelas empresas IT7 e Borghi-Lowe. Além disso, o contrato com Borghi venceu em abril de 2015, não tendo sido renovado. Não foi autorizada, desde a deflagração da operação policial mencionada, a execução de novos serviços pelas empresas citadas.

A CAIXA ratifica que continua à disposição da Polícia Federal, Ministério Público, Controladoria Geral da União e Tribunal de Contas da União para os esclarecimentos necessários.”

____________________________________

VEJA TAMBÉM:

André Vargas e irmãos foram 28 vezes a escritório de doleiro

Mulher de André Vargas diz que casa de R$ 1,3 mi foi paga com ‘economia familiar’

Moro diz que ministério omitiu encontro de Vargas, doleiro e ex-ministro Padilha

Quebra de sigilo mostra pagamento de R$ 200 mil da JBS a empresa de fachada de Vargas

Corrêa recebeu propina na Petrobrás quando era julgado no mensalão, afirma juiz

____________________________________

Tudo o que sabemos sobre:

André Vargasoperação Lava Jato