Lava Jato reitera acusação a gerente de banco suíço por lavagem de US$ 21 mi

Lava Jato reitera acusação a gerente de banco suíço por lavagem de US$ 21 mi

Em alegações finais, Ministério Público Federal no Paraná sustenta que David Muino Suarez 'participou da lavagem, com atuação junto ao escritório panamenho Mossack Fonseca'

Ricardo Brandt e Paulo Roberto Netto

02 de dezembro de 2019 | 17h25

Em alegações finais, a força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná requereu a condenação do espanhol David Muino Suarez pela suposta prática, entre 2010 e 2013, do crime de lavagem de dinheiro de pelo menos US$ 21,7 milhões. Esse valor, segundo a Procuradoria, ‘é proveniente de crimes de corrupção ativa e passiva’ no contrato firmado pela Petrobrás para aquisição de 50% dos direitos de exploração do campo de petróleo de Benin, na África, em 2011.

As informações foram divulgadas pela força-tarefa – Ação penal nº 5055362-06.2017.4.04.7000/Chave 621139987217.

David Muino Suarez, escoltado pela Polícia Federal em Curitiba. Foto: Rodolfo Buhrer / Reuters

Suarez era gerente da agência de Zurique do Banco BSI, na Suíça. As investigações demonstram que ‘ele intermediou’ a constituição de três empresas offshore junto ao escritório Mossak Fonseca, a Acona International Investments, a Sandfield Consulting e a Stingdale Holdings.

A Procuradoria na Lava Jato afirma que ‘após atuar como intermediário junto à consultoria panamenha, Suarez realizou a abertura das contas bancárias dessas offshores no Banco BSI, nas quais transitaram valores provenientes, direta ou indiretamente, dos crimes de corrupção relacionados ao campo de Benin’.

Tais crimes, segundo o Ministério Público Federal, já foram comprovados em três ações penais – nº 5027685-35.2016.404.7000, nº 5051606-23.2016.404.7000, e nº 5024879-90.2017.404.7000.

“O gerente bancário deve adotar uma conduta ativa de verificação da licitude das transações, não apenas solicitando informações aos seus próprios clientes, mas também buscando, em fontes a ele disponíveis (abertas ou não), informações sobre as empresas, pessoas e contratos envolvidos na operação”, afirmam os procuradores da força-tarefa Lava Jato em suas alegações finais.

Na avaliação dos procuradores, ‘a proatividade do réu se deu no sentido inverso, no sentido de viabilizar a constituição das offshores essenciais às etapas de ocultação, dissimulação e integração das propinas recebidas por funcionários da Petrobrás’.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem busca contato com a defesa de David Muino Suarez. O espaço está aberto para manifestação também para o escritório panamenho Mossack Fonseca. (paulo.netto@estadao.com)

Tendências: