Lava Jato rastreia donos de 492 carros que visitaram operadores do PMDB

Lava Jato rastreia donos de 492 carros que visitaram operadores do PMDB

Delegado de Polícia Federal Filipe Hille Pace pediu ao Departamento Nacional de Trânsito o registro de propriedade de veículos que entraram no condomínio Barra Trade, no Rio, para visitar Jorge e Bruno Luz, entre 2007 e 2013

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Luiz Vassallo

09 de junho de 2017 | 07h00

Jorge e Bruno Luz. Fotos: Reprodução

A investigação sobre os operadores do PMDB Jorge Luz e Bruno Luz ganhou uma nova frente. A Polícia Federal, na Operação Lava Jato, está rastreando quem visitou três salas comerciais ligadas ao pai Jorge e ao filho Bruno no Condomínio Barra Trade, localizado na Barra da Tijuca, no Rio.

Documento

Documento

No dia 29 de maio, o delegado federal Filipe Hille Pace enviou uma planilha ao diretor do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), Elmer Vicenze, vinculado ao Ministério das Cidades, com os registros de entrada e saída das salas 227, 327 e 328 do condomínio.

“Solicito a Vossa Senhoria que informe, com urgência, uma vez que se trata de processo com réu preso, os registros de propriedade dos veículos, no período de 2007 a 2013, vinculadas a 492 placas discriminadas no arquivo, que segue em anexo ao e-mail”, requereu o delegado.

+ Lava Jato investiga elo de operadores do PMDB com general de Angola

+ Procuradoria denuncia ex-Petrobrás por lavar R$ 48 mi de propina com Lei da Repatriação

Jorge e Bruno Luz são réus da Lava Jato e estão presos desde 25 de fevereiro. Pai e filho são acusados de corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo a denúncia, pai e filho atuaram com os lobistas Fernando Soares, o Fernando Baiano, e Julio Camargo, para operacionalizar propina de US$ 15 milhões sobre a contratação do navio-sonda Petrobrás 10.000 do estaleiro coreano Samsung, que custou US$ 586 milhões entre 2006 e 2008.

A força-tarefa da Lava Jato aponta que parte da propina foi destinada a políticos do PMDB e parte destinada a funcionários corruptos da Petrobrás.

Coube a Jorge e a Bruno Luz, afirma a força-tarefa da Lava Jato, a intermediação dos recebimentos para parlamentares federais do PMDB por intermédio de estratagemas de lavagem de dinheiro com o uso da conta oculta na Suíça da offshore Pentagram, que era controlada pelos acusados, e com a indicação de contas no exterior dos doleiros uruguaios Jorge e Raul Davies, também denunciados, para posterior repasse a políticos.

Um político identificado como beneficiário dos valores é o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que responde à acusação por estes fatos em outro processo.

Além dos contratos de aquisição dos navios-sonda Petrobrás 10.000 e Vitória 10.000, também é objeto da denúncia a contratação da Schahin Engenharia para operação do navio-sonda Vitória 10.000 ao custo de US$ 1,6 bilhão.

Os executivos do grupo Schahin ofereceram propina de US$ 2,5 milhões aos funcionários da Área Internacional da Petrobrás para dar viabilidade técnica à contratação.

De acordo com a força-tarefa da Lava Jato, para operacionalização dos pagamentos, Jorge e Bruno Luz novamente atuaram, desta vez em conluio com Milton e Fernando Schahin, intermediando a propina por meio de operação de lavagem transnacional de capitais com a utilização de contas ocultas no exterior.