Lava Jato quer manter preso ex-Petrobrás que pegou propina 3 vezes maior que Eduardo Cunha

Lava Jato quer manter preso ex-Petrobrás que pegou propina 3 vezes maior que Eduardo Cunha

Ministério Público Federal se manifesta contra pedido de revogação da prisão preventiva de Pedro Augusto Xavier Bastos, que foi gerente da área Internacional da estatal e acabou detido em maio sob acusação de lavagem de dinheiro e corrupção por receber valores muito superiores aos que foram pagos ao ex-presidente da Câmara

Julia Affonso e Luiz Vassallo

01 Agosto 2017 | 13h50

Petrobrás. Foto: PAULO VITOR/AGENCIA ESTADO/AE

O Ministério Público Federal requereu nesta segunda-feira, 31, ao juiz federal Sérgio Moro que mantenha preso o ex-gerente da área internacional da Petrobrás Pedro Augusto Cortes Xavier Bastos. O executivo está preso desde 26 de maio e pediu a Moro, em 14 de julho, para ser solto.

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Pedro Augusto Cortes Xavier Bastos foi denunciado pela Procuradoria da República, no Paraná, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, o ex-funcionário da estatal recebeu US$ 4,8 milhões em propinas na conta da offshore Sandfield, na Suíça, da qual era beneficiário e, em contrapartida, utilizou-se do cargo para dar amparo técnico a um negócio envolvendo a venda de um campo seco de petróleo em Benin, na África, da empresa Companie Beninoise des Hydrocarbures Sarl (CBH) para a Petrobrás, em 2011.

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Em março deste ano, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi condenado por corrupção, de lavagem e de evasão fraudulenta de divisas em ação penal sobre propinas na compra do campo petrolífero de Benin, na África, pela Petrobrás, em 2011.

“O valor total das propinas recebidas por Pedro Augusto na conta Sandfield International no banco BSI, na Suíça, alcançou o expressivo montante de US$ 4,865 milhões, quantia que evidencia a gravidade em concreto dos delitos por ele praticados. Apenas a título de comparação, este valor é mais de três vezes maior ao recebido pelo ex-deputado federal Eduardo Cunha pela atuação indevida no mesmo contrato” afirma a Lava Jato.

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A Procuradoria da República afirma que, ao ser ouvido pela força-tarefa pela primeira vez, Pedro Augusto ‘inicialmente negou ter conta na Suíça, afirmando que ‘não recebeu nenhum valor de João Augusto Henriques, lobista responsável pelo pagamento dos US$ 4,865 milhões conta Sandfield’.

“Cerca de duas semanas depois, Pedro Augusto mudou seu depoimento, passando a admitir que João Henriques gostaria de premiar o requerente. Admitiu, também, que recebeu os US$ 4,865 milhões no exterior, em total dissonância com o depoimento inicialmente prestado. Assim como Pedro Augusto mentiu em seu primeiro depoimento, pode ele mentir nos próximos ao afirmar que não tem envolvimento em nenhum outro fato criminoso e esconder a propriedade de ativos no exterior, razão pela qual sua custódia cautelar deve ser mantida”, requereu o Ministério Público Federal.

Quando pediu a revogação da prisão preventiva de Pedro Augusto, a defesa sustentou que a prisão cautelar é ‘desnecessária’ e que o executivo é um ‘homem sério e honrado’. Ao justificar o pedido de liberdade, os advogados afirmam que o ‘Ministério Público Federal procurou transmitir a ideia de que o defendente seria uma pessoa voltada à prática de negócios espúrios, atuando à margem do sistema legal e dos órgãos que regulam o sistema financeiro nacional’.

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