Lava Jato prende operador da Odebrecht em Madri

Lava Jato prende operador da Odebrecht em Madri

Apontado como um dos operadores das offshores criadas pelo “departamento de propina da Odebrecht”, Tacla Duran teria recebido R$ 54 milhões de empreiteiras investigadas na Lava Jato

Fabio Serapião, de Brasília

19 de novembro de 2016 | 08h58

Rodrigo Tacla Duran

Considerado foragido desde a 36ª fase da Lava Jato, o advogado Rodrigo Tacla Duran estava na Difusão Vermelha da Interpol e foi preso na noite de ontem por policiais da cidade de Madri. O advogado era um dos operadores financeiros utilizados pelas empreiteiras envolvidas na Lava Jato para lavar e produzir dinheiro em espécie utilizado para o pagamento de propina. Na Odebrecht, Tacla Duran era proprietário de uma das camadas de offshore ligadas ao Setor de Operações Estruturadas – o departamento da propina.

Segundo nota da Polícia Federal, a instituição, através de seu Oficialato de Ligação na U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) em Miami/EUA, recebeu informação das autoridades norte-americanas sobre a viagem de Rodrigo Tacla Duran para Madri. De posse dessa informação, o Escritório Central da INTERPOL em Brasília, acionou a Adidância da Polícia Federal na Espanha, que, por sua vez, movimentou as autoridades espanholas para localizar e prender o foragido, fato que se concretizou no início da noite de hoje. Após as comunicações oficiais, deverá ser iniciado o processo para que Rodrigo Tacla Duran seja trazido ao Brasil, a fim de que possa responder pelos crimes que lhe são imputados pela Operação Lava Jato.

O advogado Rodrigo Tacla Duran, apontado como um dos operadores das offshores criadas pelo “departamento de propina da Odebrecht”, recebeu R$ 54 milhões de empreiteiras investigadas na Lava Jato, entre elas, a UTC, Mendes Júnior e EIT. Os dados constam em pedido de quebra de sigilo de empresas que, segundo o MPF, são suspeitas de escoar a propina da Mendes Júnior.  Somente da Mendes Júnior, o escritório Tacla Duran Sociedade de Advogados, entre 2011 e 2013, recebeu R$ 25 milhões. Da UTC foram R$ 9 milhões e da EIT outros R$ 2 milhões.

TACLA ADVOGADOS 54 MILHÕES

O Estado apurou que no caso da Mendes Júnior, os repasses ao operador são explicados na proposta de delação premiada em negociação com a Procuradoria-geral da República. Os valores seriam destinados a agentes públicos envolvidos em irregularidades em obras da Petrobras e no governo do Rio de Janeiro.

Até então, os investigadores tinham conhecimento apenas da atuação de Tacla Duran em transações envolvendo as contras secretas da Odebrecht. Com a quebra de sigilo das construtoras, os investigadores descobriram que duas empresas de TaclaDuran foram beneficiárias de pagamentos milionários.

Além da Odebrecht, Mendes Júnior, UTC e EIT, o MPF também mapeou a relação de Tacla Duran com ao menos outras duas empreiteiras e dois operadores presos pela Lava Jato. A Treviso, de Julio Camargo, operador da Toyo Setal e atualmente delator, repassou R$ 350 mil para o escritório do advogado. Por sua vez, outra empresa de Tacla Duran, a Econocell do Brasil, repassou R$ 3,5 milhões para empresas de Adir Assad, apontado como operador da Delta Engenharia e de outras construtoras.

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